O policial civil Cleideval Antônio Vasques Bueno foi condenado a 16 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da também policial civil Elaine Orlando Viana Yamazaki, de 35 anos. O júri popular foi formado por cinco homens e duas mulheres e a sessão foi presidida pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Aluízio Pereira dos Santos.
O crime aconteceu em 12 de março de 2009 e o réu foi pronunciado para ir a julgamento em dezembro do mesmo ano, mas a sessão foi suspensa várias vezes porque ele não concordava com a decisão.
O corpo da policial foi encontrado na madrugada de 13 de março de 2009 no interior de seu carro, um Fiesta. O veículo estava estacionado na Avenida Salgado Filho, Bairro Vila Carvalho, na Capital. Os dois trabalhavam na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), mas depois do episódio Cleideval foi transferido para a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), onde permanece atuando.
Acidental
O policial reconheceu em juizo que Elaine morreu porque foi atingida por um disparo efetuado por ele, que estava em poder de uma pistola calibre ponto 40, de propriedade do Governo do Estado. No entanto, apesar da confissão, ele garantiu que o tiro foi acidental. Durante a sessão o homem revelou que mantinha uma relação extraconjugal com a vítima a cerca de dois anos e meio.
O réu contou que a buscava em casa de manhã, os dois almoçavam juntos, ele a levava embora e posteriormente até a faculdade. Ainda conforme Cleideval, o marido desconfiava da relação.
O acusado disse também que na data do crime a mulher estava nervosa por motivos familiares. Naquele dia ele a levou em casa e depois foi até a faculdade buscá-la, mas os dois não conversaram lá porque o carro do patrão do marido – que estudava no local – estava parado ao lado do Fiesta da vítima.
O casal então parou na Avenida Salgado Filho, onde costumava ficar sempre que Elaine saía mais cedo da faculdade. “Ela não gostava de ir para casa porque o casamento já havia acabado em razão da bebida do marido”, justificou o réu, explicando que estava sentado no banco do passageiro quando tirou da cintura a arma, que estava incomodando, e a colocou no painel do veículo. O objeto escorregou, ele tentou pegá-la e ela disparou acidentalmente. O policial justificou que o tiro acertou na testa, entre os olhos da mulher, porque ela era “baixinha” e na ocasião mexia no aparelho de som do carro, próximo ao local onde a arma caiu.
Planos
Cleideval confessou ao juiz que na manhã do crime viu uma mensagem na página de relacionamento, na internet, mas alegou que o fato não era suficiente para matá-la. “Nunca atirei em ninguém, nunca matei ninguém e fiquei numa situação de total desespero, por isso não a socorri. A gente se gostava muito, tinha planos e jamais me passou pela cabeça matar alguém, ainda mais alguém que eu gostava tanto”, justificou.