Cidades

'MATANÇA'

Polícia ignorou denúncia sobre 'congresso de sexo e álcool', diz mãe

Polícia ignorou denúncia sobre 'congresso de sexo e álcool', diz mãe

Redação

25/08/2011 - 00h02
Notícia sem imagem

A polícia ignorou a denúncia de que havia uma casa funcionando no Bairro Centenário, em Campo Grande, como ponto de encontro de menores para orgias e consumo de álcool e maconha. A denúncia foi feita no início de agosto por Z.M., 32 anos - mãe de uma menina de 12, que participava das festas -, após notar mudança no comportamento da filha e de investigar, por conta própria, os motivos da transformação da garota.

Ela acabou descobrindo que os adolescentes matavam aula para se reunir na casa de um dos alunos, de 16 anos.

No local, o grupo que se autodenominava “Congresso do Bulimento”, matava aulas - o que chamavam de 'matanças' - consumia drogas, álcool e fazia sexo durante o período da manhã. “Procurei informações e encontrei essa casa de orgias. Levantei nomes de quem participava, levei até a polícia, mas nada foi feito”, relatou a mãe.

Orgia

A maioria, segundo ela, era composta por meninas usando roupas íntimas. Alguns estavam em meio ao ato sexual e outros tomavam vodka. De acordo a mãe, quando entrou, alguns dos garotos mal conseguiram colocar as roupas e ficaram enfurecidos com sua presença. “Tinha algumas meninas de baby doll. Ou seja, aquilo era natural. Elas se arrumavam para encontrar os garotos”, declara.

Ela conta que tirou a filha do local e foi até a Deaj (Delegacia Especializada de Atendimento a Infância e Juventude) denunciar o caso. Na semana passada, Z.M. voltou à delegacia para denunciar que a prática continuava.

“Voltei à casa e vi toda aquela bagunça de novo. As meninas só de lingerie e os meninos de roupas íntimas no quarto. Nada tinha mudado”, descreveu a mãe. “E pior, um investigador da Delegacia de Proteção à Infância e Juventude (Deaij) disse que eu deveria resolver ‘problemas domésticos em casa e não na delegacia’”, lembrou-se.

A manicure disse já ter tentado conversar com a mãe do garoto de 16 anos que promovia as orgias na própria casa. “Ela disse que não pode proibir o filho de receber os amiguinhos em casa”, afirma

O caso só ganhou repercussão nesta semana por conta da denúncia do clube de orgia denominado “Congresso do Bulimento” por órgãos da imprensa local. Um inquérito foi instaurado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e hoje, a Polícia Civil convocou coletiva de imprensa para esclarecer pontos da investigação adotada.

Confira a seguir, entrevista de Z.M. concedida nesta quarta-feira, ao Correio do Estado:

 

Quando e por quê a senhora começou a investigar a história ?

Minha filha mudou radicalmente o comportamento de uma hora para outra. Isso foi em março deste ano. Foi como se ela estivesse querendo se transformar em mulher da noite para o dia. Começou a usar roupas diferentes.

 

Como a senhora chegou a esse grupo de orgia ?

Comecei a perguntar para os colegas da minha filha na escola. Lá, eles disseram que tinha o N. (de 16 anos) que era o organizador de tudo e era conhecido na escola. Foi aí que segui a minha filha e cheguei nessa casa.

 

O que a senhora viu ?

Cerca de 15 adolescentes. As meninas de lingerie, dançando funk e os meninos de cueca. Havia bebida, vodca, e também maconha. Minha filha estava lá, ela disse que havia perdido a virgindade com o dono da casa, assim como outras garotas. Aí fui imediatamente à escola que ela estudava e passei para o diretor todas as informações.

 

Que informações ?

Que havia um grupo de lá que matava aula para frequentar a casa às sextas-feiras. Contei sobre o sexo e bebidas. Daí fui à polícia, mas eles nem deram importância. Depois da primeira denúncia, continuei monitorando a casa e na semana passada voltei à delegacia para informar que eles continuavam a fazer festa. Mas só nesta semana tomaram providência.

 

E a mãe do garoto de 16 anos, o dono da casa ?

Ela disse que não pode impedir seu filho de receber visitas.

 

Como está sua filha?

Ela não tinha noção do que realmente estava acontecendo. Mas, agora, caiu em si. Mudei ela de escola e ela está recebendo todo o nosso apoio.

 

 

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