O descontentamento de Campo Grande com o trânsito, o transporte coletivo e o atendimento de saúde aumentou de 2010 para 2011. Conforme pesquisa encomendada pelo Correio do Estado ao Ibrabe sobre satisfação do campo-grandenses em viver na Capital, a saúde pública é considerada pela população o principal problema da cidade. Do ano passado para este ano, o índice de insatisfação da população com serviço teve acréscimo de 23 pontos percentuais, de 18% para 41% — ou seja, a quantidade de pessoas que "reclamam" da saúde mais que dobrou.
Em segundo lugar, moradores consideram transporte coletivo o pior serviço prestado pelo Poder Público e no intervalo de um ano, a insatisfação aumentou 12 pontos percentuais, de 19% para 31%. Segundo a pesquisa, também dobrou o número de descontentes com o trânsito — os insatisfeitos passaram de 8% para 18% de 2010 para 2011.
A violência e o desemprego também foram apontados pela população como principais problemas, mas do ano passado para cá tiveram queda significativa na quantidade de insatisfeitos. Conforme o Ibrape, a violência deixou 38% da população descontente este ano, enquanto em 2010, 45% dos moradores estavam insatisfeitos. Já no quesito desemprego houve queda de 25% para 12% neste período.
Para o cientista social, Cleverson Rodrigues, as principais reclamações da população quase sempre são em relação à serviços essenciais, como saúde e transporte. "Boa parte da insatisfação tem haver com a ineficiência do poder público na prestação desses serviços".
Rodrigues, que é coordenador do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), afirma que a preocupação e descontentamento do campo-grandenses com os problemas citados segue tendência nacional. "São aspectos primordiais e não só em Campo Grande se vê reclamação sobre esses temas. Sinal que os serviços, em muitos casos, são precários".
População x Prefeitura
Para o eletricista Antônio Carlos de Oliveira, 60 anos, para melhorar o atendimento de saúde é preciso investir na construção de mais postos e hospitais em Campo Grande. "Veja só, moro no Jardim Leblon e tive que vir ao Guanandi trazer minha mulher para uma consulta, porque nem no meu bairro e nem lá perto tem posto de saúde".
De acordo com o secretário municipal de Saúde Pública, Leandro Mazina, é natural que a insatisfação do campo-grandense com o serviço tenha aumentado a medida que o Poder Público tem tido dificuldades para investir no setor. "Os gastos são muito altos e os investimentos não conseguem acompanhar".
O pedreiro Agnaldo Borges, 42 anos, diz enfrentar mais dificuldades com o transporte coletivo. "Comprei uma bicicleta para não ter de andar de ônibus. Mas quando tenho que pegar, os carros estão sempre lotados".
Sobre o serviço, o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Rudel Trindade Junior, culpa o incentivo do governo federal à aquisição de motocicletas e carros particulares. "Muitas cidades do Brasil estão vivendo uma crise de mobilidade urbana, por conta do aumento repentino e significativo da frota. Estamos pagando por não ter investido no modo correto de transporte, que é o coletivo, lá atrás".
Pesquisa
Foram ouvidas 522 moradores de Campo Grande, todos com mais de 16 anos de idade. A pesquisa foi realizada entre os dias 21 a 24 de agosto de 2011.