Os 48 ambulantes que trabalham na Praça Ary Coelho serão transferidos para outros locais na região central da cidade enquanto durarem as reformas na área de lazer. A partir de amanhã a Prefeitura de Campo Grande começa a instalar tapumes ao redor da praça e os vendedores não poderão mais atuar no local.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Marcos Cristaldo, três espaços estão sendo estudados para receber os ambulantes - o Mercadão Municipal, o calçadão da Igreja Santo Antônio e locais próximos a bancas de revistas. “Estamos verificando qual o melhor local, mas apenas na semana que vem vamos ter certeza da mudança”, disse o secretário.
Os ambulantes, no entanto, temem ficar como trabalhar até que a prefeitura decida para onde levá-los. Um deles é Neusa Maria dos Santos Silva, 52 anos - há mais de 20 vendendo cafezinho e chipa na Praça Ary Coelho. Para ela, “sem uma posição da prefeitura fica muito difícil trabalhar”. “Os fiscais vêm aqui, dizem que a praça vai fechar na segunda-feira (amanhã) e que a gente não vai mais poder trabalhar. Eu fico preocupada porque é dessa venda que eu vivo”. Descontente, ela informou que todos os vendedores vão até a praça amanhã para verificar como ficará a situação.
Na avaliação do ambulante Francisco Dias de Souza, 57 anos, a demora da prefeitura prejudica os trabalhadores. “Eles não nos informam para onde vamos e temos que trabalhar. Não podemos chegar aqui na segunda e dar de cara com a porta nem ficar mais de um ano sem trabalhar por causa da reforma na praça”, destaca. Para evitar ser “pego de surpresa”, ele já está buscando outro espaço para atuar. “Estou procurando e já conversei com um colega garapeiro para ficar no mesmo ponto que ele, acho que vai dar certo”.
Além da indefinição sobre o espaço onde vão trabalhar, os vendedores também temem que alguns não sejam contemplados pela prefeitura. Isso porque muitos não possuem a carteira da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), que autoriza a utilização de espaços públicos para venda de produtos. Segundo o secretário Marcos Cristaldo, todos os ambulantes que estiverem cadastrados no órgão serão beneficiados. “Não é preciso ter a carteirinha, mas eles têm que estar cadastrados na Semadur”.
Movimento
O secretário de Meio Ambiente afirmou que os vendedores desejam ir para algum local que tenha grande movimento de pessoas. Por conta dessa necessidade, a Praça do Rádio Clube não foi cogitada como espaço adequado. “Eles mesmos não querem a praça do Rádio porque lá não tem muito movimento”.
O ambulante Armindo Delgado vende sorvete na Praça Ary Coelho há dez anos. Ele tem a carteirinha da Semadur, que o autoriza a utilizar o local como ponto, e não vê problema na mudança, desde que o novo espaço tenha clientela. “Eu não me preocupo muito porque sei que eles vão arranjar um lugar novo, mas o medo é que não haja movimento suficiente de venda”.