Moradores da antiga favela Cidade de Deus, situada próximo ao lixão, receberam ontem as chaves de 182 casas populares da última etapa do Conjunto Habitacional José Teruel Filho, situado no Bairro Dom Antônio Barbosa. Até o fim do ano, a prefeitura de Campo Grande deverá entregar mais 1.086 unidades em outros três conjuntos habitacionais em construção na Capital, totalizando 2.407 moradias, conforme estatísticas da Agência Municipal de Habitação (Emha). O investimento nos imóveis entregues ontem foi de R$ 7,2 milhões - entre recursos federais, estaduais e do município - além das obras de infraestrutura, custeadas pela prefeitura.
A solenidade de entrega, realizada pelo prefeito Nelsinho Trad (PMDB) e pelo governador André Puccinelli (PMDB) com a participação de políticos da bancada federal e estadual, da Câmara Municipal, secretários, lideranças comunitárias e centenas de famílias, marca também a mudança radical das condições de moradia para 382 famílias, que começaram a erguer os primeiros barracos em área pública na região há três anos, vivendo desde então em condições de total precariedade. Agora, mesmo depois de receberem as novas casas, os moradores continuarão a ser acompanhados pela Emha pelo prazo de um ano, recebendo visitas da assistência social, orientação e oportunidade de participação em cursos de geração de renda promovidos pela Prefeitura.
Continuidade
Além de atender à demanda por habitacão das centenas de famílias que dependem do lixão próximo ao Dom Antônio Barbosa, o prefeito Nelsinho Trad destacou ontem como ação prioritária a melhoria das condições de trabalho e geração de renda dos trabalhadores, situação que deverá ser atingida com a entrada em funcionamento da Usina de Processamento de Lixo (UPL) em área situada defronte ao lixão, atualmente em construção. A previsão é que esta unidade seja entregue até março do ano que vem.
"As nossas equipes de assistência social já estão fazendo cadastramento dos trabalhadores para poder fazer a capacitação deles e nós também faremos visita a cidades que já têm experiência bem sucedida nessa área, como Vitória (ES), anunciou. A viagem, da qual participará também uma comissão de trabalhadores, deve ser realizada ainda neste ano.
Emoção
O operador de máquina Roberto Carlos de Souza Castro, de 41 anos, emocionou-se ao receber as chaves da casa própria. "É muita alegria", disse o trabalhador, que já "perdeu as contas" do tempo em que estava na fila de cadastro da Emha, esperando por uma moradia. Nascido em Campo Grande, ele conta ter morado de aluguel até três anos atrás, quando então foi ocupar um dos barracos da favela Cidade de Deus com a mulher Ruth e os três filhos. "Para mim, muda tudo (a nova casa). Tenho como deixar a minha mulher sossegada em casa e trabalhar tranquilo", comentou.
A dona de casa Helen Fernandes da Silva, de 20 anos, aprovou o novo lar, que habitará juntamente com o marido, servente, e os três filhos, um deles com necessidades especiais. "Muitas vezes a gente passava frio, necessidade, as coisas molhavam porque o barraco era de madeira, tinha só duas peças. Essa casa é boa, tem quatro peças. É o meu futuro que está aqui", completou.
Em meio às centenas de moradores que aguardavam, ansiosos, pela entrega das chaves da casa própria, estava Maria de Fátima Francisco Pereira, de 21 anos. A jovem catadora de recicláveis, que foi personagem de uma reportagem publicada em janeiro deste ano pelo Jornal Correio do Estado, abordando a situação de extrema pobreza de famílias residentes na Cidade de Deus, terá agora mais dignidade para morar com os dois filhos, de três e um ano de idade. No lugar do tambor e de uma caixa d’água quebrada, dispõe agora de rede de água, assim como iluminação. "Vamos sair do barraco que molha tudo (quando chove) para uma casa que não molha", comemorou.
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