Cidades

SOLIDARIEDADE

Mães crecheiras, 'babás múltiplas' sem benefícios sociais e recursos

Mães crecheiras, 'babás múltiplas' sem benefícios sociais e recursos

Redação

05/09/2011 - 00h00
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Mãe crecheira é uma espécie de babá múltipla que cuida e protege crianças de um a dez anos de idade, filhas de mães e pais trabalhadores – pedreiros, pintores, funcionários de lojas de material de construção, motoristas e recicladores de lixo; as mulheres são empregadas domésticas e do comércio.

Em três cômodos da casa de alvenaria empoeirada moram Elenice Pereira Diniz, 18; o marido Maurício Henrique Godói, 28, desenhista; o irmão Sandro, militar do Exército; e a mãe dela, Gilvânia, do lar, proprietária do imóvel.

De segunda a sexta-feira, a partir das 5h40, a casa se transforma em creche sem nome, sem recursos e sem benefícios oficiais. É quando chega o menino Pedro, 5 anos, trazido pelo pai, empregado de uma fazenda, ou pela mãe, doméstica.

Da casa para a escola a pé ou de bicicleta, o trajeto de Elenice é compartilhado pelo marido. "Quando ele pode", ela ressalva.

Um dos "anjos da guarda" de cerca de 150 famílias carentes e dependentes de mães crecheiras no Caiobá 1 é o baiano Luiz Carlos Ribeiro Santana, 43, diretor-presidente do Instituto de Ação Social de Desenvolvimento Educacional e Cultural O Giro 380. "Distribuímos cestas básicas, frutos de doações da Seleta (Sociedade Caritativa e Humanitária) para uma parcela dessas pessoas", ele conta. Tem até farinha? – brincamos. "Tem mesmo", ele ri, feliz pela nossa lembrança de que, do Recôncavo Baiano saem até beijus coloridos feitos com cebola, açaí, maracujá e abacaxi.

De utilidade pública municipal, a entidade mantém um projeto com aulas de canto, violão, flauta doce e percussão; usa a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e também atende a crianças com Síndrome de Down.

Santana, que já tocou com os percussionistas Carlinhos Brown e Naná Vasconcelos, alia a música à assistência social, dedicando-se ao atendimento de crianças e adolescentes.

Caiobá 1 não é tão precário. Embora o asfalto só beneficie ruas onde passam ônibus, o PAC Lagoa, do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado e Prefeitura, investe R$ 35 milhões na urbanização do fundo do Córrego Lagoa.

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