Os pré-candidatos a prefeito de Campo Grande rejeitam a necessidade de aumento de 40% na arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), como defendeu o prefeito Nelsinho Trad (PMDB) em entrevista ao Correio do Estado. Para eles, a população não pode ser penalizado com mais tributos. No entanto, apenas um pré-candidato, o deputado federal Edson Giroto (PR) não quis se manifestar contra nem a favor da correção.
Segundo Trad, a defasagem entre os valores real e do carnê do imposto é o "principal nó da administração" que o próximo gestor terá. Sem a verba extra, ele considera difícil manter obras e parques. O prefeito sente-se incomodado com o assunto e acredita que ele não deve ser discutido agora.
"Ele (Nelsinho Trad) já deu aumento acima da inflação no ano passado (neste ano), não justifica um novo aumento; isso mostra a incapacidade dele", afirmou Dagoberto Nogueira (PDT).
O ex-senador Antônio João Hugo Rodrigues (PSD) defendeu a readequação da realidade ao orçamento do município, de forma a oferecer melhores serviços sem onerar ainda mais o povo, que já paga "preço altíssimo". Na sua avaliação, os campo-grandenses estão "de saco cheio de aumento de impostos". "Precisamos ser cautelosos, para que o povo não sofra o efeito extremamente danoso (do aumento de IPTU)", frisou.
Os deputados Reinaldo Azambuja (PSDB) e Pedro Kemp (PT) querem ouvir a população a respeito, antes de decidir por novas altas. "Eu acho um absurdo o prefeito falar em defasagem de 40% de um IPTU que é tão caro", considera Kemp. Para Azambuja, "o IPTU tem que ser uma cobrança justa, e a população tem que saber onde o dinheiro está sendo gasto".
Obras
Antônio João, Nogueira e Kemp foram mais agressivos. Os dois últimos creditaram a necessidade de mais dinheiro à "má administração" de Trad. "A arrecadação do município é significativa, e ele tem sido ajudado pelo Governo federal", diz Kemp, "ela (a prefeitura) está sendo é mal administrada", conclui. Um dos sinais, segundo ele, é a demora na conclusão das obras. Kemp também criticou o curto prazo que os vereadores têm para analisar a lei do reajuste, votada "no afogadilho".
Antônio João defendeu revisão na atual gestão, de forma a realizar obras necessárias à cidade e com previsão orçamentária para manutenção. Ele explica que não adianta aproveitar os recursos do Governo federal para construir e não ter condições de manter, por exemplo, postos de saúde funcionando. Ele defendeu planejamento, de forma que as unidades de saúde existentes tenham médicos, equipamentos e condições de oferecer um bom atendimento à população.