O número de casos de violência sexual contra meninos disparou em Mato Grosso do Sul. Todos os meses, pelo menos 4 crianças do sexo masculino são vítimas desse tipo de agressão, conforme dados do SOS Criança. O órgão registrou no segundo trimestre desse ano 13 agressões, sendo que no mesmo período do ano passado apenas um menino foi violentado sexualmente.
Esse número representa aumento 1.200%. Mas, as autoridades ainda buscam explicação e não sabem dizer o por quê dessa mudança na escolha dos agressores. “Nos anos anteriores só as meninas sofriam violência sexual. Hoje, o alvo são os meninos e muitas vezes abusados por primos e até pelo próprio pai”, salientou a diretora do SOS Criança em Mato Grosso do Sul, Marli Tonete.
Na noite do dia 27 de agosto, um menino de 4 anos foi estuprado por um primo de 12 anos. O ato aconteceu, em Campo Grande, durante um churrasco onde estavam os pais dos dois meninos e o menor de 12 anos teria aproveitado o momento em que os adultos saíram da casa para comprar carvão, deixando-os sozinhos, e estuprou o criança.
Quando os adultos voltaram, perceberam algo de estranho e prontamente a vítima contou ao pai o que havia acontecido. Estava chorando, com sangramento anal e disse que sentia muita dor. O primo foi apreendido e encaminhado para a Unidade Educacional de Internação (Unei) Novo Caminho.
Em depoimento à policia, o menino assumiu que praticou o estupro, mas segundo a delegada que conduziu as investigações, Maria de Lourdes Cano, não soube explicar os motivos. “Perguntamos se ele havia visto algum filme, revista, mas ele disse que não estava copiando nada de ninguém e não sabe por que praticou o ato”, aponta sobre o depoimento do menino.
A diretora do SOS Criança ressalta que muitas vezes o próprio pai ou a mãe praticam a violência sexual ou física contra a criança. “A pessoa que a criança mais confia é o pai ou a mãe e são eles que estão agredindo nossa crianças. Aquele que deveria proteger é o que dá medo”, disse Marli.
Sem religião
Embora ainda não tenham encontrado uma explicação para o mudança no alvo do agressor, Marli acredita que a ausência de Deus nas família seja o principal fator de tanta violência. “Quem tem Deus no coração não perde a paciência e não agride ou violenta uma criança”.
Para a juíza da Vara da Infância e Juventude, Katy Braun do Prado, levando em conta todo o trabalho do SOS seria um retrocesso para o Estado acabar com esse serviço. “ A sociedade vai perder muito porque terá de encarar a impunidade dos violadores do direito das crianças e adolescentes.
A entrevista feita de forma especializada com a vítima é indispensável para que ela se sinta à vontade e segura para relatar os detalhes do crime. No caso específico de abuso sexual geralmente não há testemunha e a palavra da vítima é fundamental para a elucidação do caso.