As notas dos estudantes que estavam concluindo o colégio e participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010 aumentaram. Em 2009, primeiro ano em que o exame passou a ser usado para selecionar estudantes para universidades, a média nacional foi de 501,58. No último exame passou para 511,21 nas provas objetivas.
Os 10 pontos a mais – pouco diante de uma escala que varia de 0 a 1000 – são considerados positivos pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Especialmente porque o aumento na média ocorreu com mais estudantes em fase de conclusão do ensino médio fazendo a prova. Do total de 1,7 milhão de jovens que terminaram o colégio em 2009, 45,8% (824 mil) participaram da prova. No ano passado, essa proporção foi de 56,4% (1 milhão).
Apesar de o MEC não ter estabelecido metas a partir das notas do Enem, Haddad diz que é possível comparar o desempenho dos estudantes do ensino médio no exame com as notas dessa etapa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A meta do ensino médio é atingir nota 6 no Ideb (equivalente ao desempenho dos países desenvolvidos no PISA) em 2028. Segundo o ministro, isso corresponde a alcançar média nacional 600 até o mesmo ano, um crescimento de 100 pontos em relação à média estabelecida para o exame em 2009.
“Isso significa que andamos 10% do nosso caminho. Estou fazendo uma tradução livre para dar noção do que significam esses dez pontos de incremento. Se esse resultado fosse mantido nos próximos anos, atingiríamos a meta em dez anos”, diz. Haddad ressalta, no entanto, que ainda é cedo para afirmar que há uma tendência de crescimento nas notas. Se a participação dos alunos aumentar, o ministro admite que poderá haver uma queda nas médias.
Essa é a primeira vez que as notas obtidas pelos estudantes no Enem podem ser comparadas de um ano para outro. Em 2009, o Inep adotou uma nova metodologia para o exame, a Teoria da Resposta ao Item (TRI). O método permite que provas diferentes tenham o mesmo nível de dificuldade, porque os itens são calibrados e pré-testados antes de serem utilizados nas avaliações. A redação não foi considerada, já que ela não é comparável de uma avaliação para outra.
O que estudantes, professores e sociedade aguardam, desde o ano passado, é uma “tradução” da nova escala do Enem. Não é possível compreender, hoje, a partir das médias, se os conceitos que os estudantes alcançaram são bons ou ruins. Essa interpretação da escala do Enem estava prometida para o ano passado, mas até agora não ficou pronta. Segundo o MEC, ainda não há previsão para que seja divulgada.