O prédio da antiga rodoviária de Campo Grande é o endereço provisório dos dogueiros e dos vendedores autônomos de carros da antiga pedra. Os trabalhadores que atuavam no canteiro central da Afonso Pena foram obrigados a saírem do local após o inicio das obras de revitalização na avenida.
Os 23 dogueiros cadastrados na prefeitura devem permanecer pelo menos nos próximos seis meses no prédio. A prefeitura deve criar um espaço para a venda de lanches na Orla Ferroviária, que deve ficar pronta em março do ano que vem.
De acordo com o presidente da Associação Municipal de Vendedores Autônomos de Lanches (Amval) Emerson Nascimento, eles estão sem trabalhar desde segunda-feira. “Fizemos um acordo com a prefeitura, eles devem deixar o espaço com a infra-estrutura pronta ainda hoje para que possamos trabalhar”, argumenta.
Segundo a associação, cada trailer vende em média 200 lanches por dia, o que corresponde a cerca de 13 mil lanches que eles deixaram de vender durante o tempo em que ficaram parados, um prejuízo de mais de R$ 50 mil, levando em conta o preço médio de R$ 4 por lanche.
"Não vamos ter problemas em relação à divisão de espaço aqui”
Segundo o diretor de controle urbanístico e de posturas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Semadur), Waldiney Costa da Silva, a prefeitura vai preparar o local para que ainda hoje os dogueiros possam trabalhar. “Ainda no período da tarde, funcionários devem fazer a ligação de água, energia elétrica e instalação de banheiros químicos no prédio. No segundo momento, vamos fazer reformas na estrutura e realizar a pintura do local, para ficar um ambiente agradável para que eles (dogueiros) possam trabalhar da melhor maneira possível”, completa.
Vendedores de veículos da antiga Pedra
Cerca de 80 vendedores autônomos de veículos que trabalhavam na antiga pedra, em frente ao camelódromo, estão desde ontem no prédio da antiga rodoviária. Para o presidente da associação dos vendedores autônomos de veículos de Campo Grande, Celso Pinto, o local atende a expectativa dos trabalhadores. “Ainda não é um local definitivo, mas todos concordaram em ficar aqui por enquanto”, argumenta.
Um projeto está sendo analisado pela Semadur e a resposta deve sair até o final do mês. Segundo Celso Pinto, “Enviamos um projeto ao secretario de desenvolvimento urbano com possíveis locais que desejamos ficar. A prefeitura vai analisar a possibilidade de ficarmos no local e deve conversar conosco nos próximos 20 dias”, afirma.
A possibilidade de permanecerem na antiga rodoviária não desagrada os vendedores. “Podemos até ficar por aqui, se não houver solução, aqui não é ruim. Nossa única exigência é que nossa área seja na região central”, conclui.

Divisão do espaço
Os vendedores de veículos e de lanches chegaram em comum acordo de como dividir o espaço. Os vendedores de veículos chegam cedo para trabalhar e ficam até às 17h30min. Os dogueiros chegam com os carrinhos a partir das 18h. “Já acertamos com o pessoal da pedra, não vamos ter problemas em relação à divisão de espaço aqui”, brinca Emerson.
Orla ferroviária
O futuro espaço dos dogueiros é um local que deve ficar no trecho da Afonso Pena, a partir da Morada dos Baís, até a avenida Mato Grosso, com a construção de um calçadão com piso tátil, equipamentos de lazer e descanso, bancos, praça, área para atrações culturais, ciclovia, paisagismo e iluminação.
Desenvolvido pela Coordenadoria de Projetos Especiais da Prefeitura de Campo Grande, o projeto prevê investimentos na ordem de R$ 3.9 milhões, recursos financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em obras de urbanização, paisagismo e mobiliários de lazer.

