Usar carros de clientes que paravam no estacionamento era uma prática comum. É isso que afirma o manobrista responsável por ter 'emprestado' a dois amigos um carro de uma cliente que, momentos depois, causaria o acidente que matou duas pessoas em Caieiras (Grande SP). O manobrista trabalhava no Rit, estacionamento em Higienópolis, centro de São Paulo.
A afirmação, que não consta no inquérito policial, foi dada pelo manobrista, Jonatan Paulino Alves, 22, ao delegado interino do 1º DP de Caieiras, Fábio Lopes Cenachi. O manobrista foi indiciado por apropriação indébita do veículo, um Kia Carens que pertencia a uma médica de 33 anos.
No sábado (29), ele emprestou o carro a Higor Costa Araújo, 22, e a Nivaldo Castro, 21, que iriam a uma festa em Caieiras.
Segundo a polícia, Araújo dirigia o Kia da médica quando tentou ultrapassar um caminhão em trecho proibido da estrada e bateu no carro que vinha na direção contrária, matando dois ocupantes --a jornalista Denise Pimentel Spera, 25, e o professor Bruno Tuon Perim, 27-- na estrada velha de Campinas, em Caieiras.
Uma terceira ocupante do carro, Ligia Maria Celeguim Tuon, também jornalista, sofreu ferimentos leves.
No acidente também estava envolvido um caminhão que, segundo a polícia, andava na frente do Kia. Segundo relatos, o caminhão teria derrapado e deslizado em "L" momentos antes do acidente que matou a jornalista.
O motorista do Kia e José Benedito Santos, 38, motorista do caminhão, serão indiciados por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Para a polícia, a conduta do caminhoneiro criou situação para o acidente. O caminhoneiro não tinha sinais de embriaguez, segundo a polícia.
Já o motorista do Kia fugiu do local e não prestou socorro às vítimas -- ele será indiciado também por evasão do local do acidente, junto a Nivaldo Castro, que estava no banco de passageiros.
Os indiciados vão responder em liberdade e a polícia aguarda o resultado da perícia para esclarecer as causas do acidente. A reportagem não conseguiu localizar a empresa responsável pelo estacionamento, nem falar com os advogados dos suspeitos.