O Brasil está cheio de obras gigantescas, inacabadas, que não beneficiam a população e ainda desperdiçam dinheiro público. No Mato Grosso do Sul não é diferente, um dos exemplos de “elefante branco” pode ser visto por quem trafega na BR-163, em São Gabriel do Oeste.
Trata-se de um Centro de Comercialização, com quase 450 metros quadrados, que deveria apoiar o artesanato, a cerâmica e turismo. Para executar a obra, o ex-prefeito Adão Rolim (PR), recebeu R$ 500 mil do governo federal, através do Ministério da Integração Nacional.
Como se não bastasse, Rolim injetou R$ 125.163,15 de recursos do contribuinte de São Gabriel do Oeste e não conseguiu finalizar a obra, iniciada em janeiro de 2007. Neste caso, o que chama a atenção, é que a contrapartida do município deveria ser apenas de R$ 15.471,73.
Enquanto o projeto apresentado ao Ministério de Integração previa gasto de R$ 515.471,73, Rolim licitou R$ 601.471,84 e ainda efetuou termos aditivos elevando o valor da obra para R$ 756.979,97. Desse total, a empresa GMB recebeu R$ 640.634,88, ficando com saldo a receber, assim que finalizasse a obra, de R$ 116.345,09.
Por conta das inúmeras irregularidades encontradas na execução parcial do projeto, o Ministério de Integração Nacional determinou que Rolim devolvesse R$ 810.179,43 ao governo federal, conforme ofício de número 765/2011.
Para evitar que o município de São Gabriel do Oeste ficasse inadimplente, o que impediria o recebimento de recursos voluntários, como emendas parlamentares, o prefeito Sérgio Luiz Marcon (PSDB) assumiu perante o governo federal o compromisso de concluir a obra.
Segundo Marcon, o cofre público municipal terá de ser sacrificado em R$ 350 mil. “Não é justo que o município seja penalizado, tendo futuros empreendimentos prejudicados, por irregularidades cometidas na gestão anterior”, enfatiza o prefeito.
Elefante branco
Há muitos anos, um rei dava um elefante branco para os súditos que não gostava. O animal ocupava espaço, não tinha utilidade e era caro para manter. Por isso, tudo que é grande, custa uma fortuna e não serve para nada ganha o nome de elefante branco.
Os comerciantes da redondeza afirmam que a definição é perfeita para o Centro de Comercialização. “As únicas pessoas que fazem uso desse elefante branco são os mendigos e usuários de drogas, que ainda perturbam no comércio da região”, diz um comerciante que pediu para não ser identificado. O mesmo comerciante informou que antes da prefeitura iniciar a obra os empresários da redondeza se reuniram para tentar impedir, mas foi em vão.
Atualmente a obra gigantesca serve como abrigo para mendigos e usuários de drogas. No local, existe muito lixo, que causa forte odor. O vendedor Tiago Teló, de 22 anos, reafirma que os mendigos incomodam demais o comércio local. “Aparecem por aqui até com baldes pedindo água para tomar banho”, comentou o vendedor.
Loreni Elias, de 45 anos, dona de uma pastelaria em frente ao elefante branco, também tem problemas com os “moradores” do local. “Eles perturbam meus clientes, pedindo dinheiro, a maioria das vezes para beber e usar drogas”, relata.