Os cerca de 1 mil funcionários da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) voltam ao trabalho no prédio da instituição a partir das 8h de quinta-feira, informou a assessoria do órgão. O imóvel ficou ocupado até o início da manhã de terça-feira por estudantes em protesto contra a presença da Polícia Militar no campus, e terminou após o cumprimento de um mandado judicial de reintegração de posse por cerca de 400 homens da Tropa de Choque.
O expediente normal dos servidores, contudo, só deverá ser retomado a partir de quarta-feira, após o feriado da Proclamação da República. Segundo a reitoria, o horário de trabalho de amanhã e sexta-feira será usado parcialmente pelos funcionários para "colocar o trabalho em ordem", porque as condições físicas em que o prédio ficou após os seis dias de ocupação não permitiriam a volta imediata às funções normais. A reitoria informou também que durante a ocupação os funcionários trabalharam a partir de outras unidades.
A Polícia Militar afirmou ontem que manteria um efetivo de segurança estratégico ao redor da reitoria para evitar manifestações violentas e nova invasão. Segundo o 16º BPM, que cuida do policiamento na região, a presença policial nos arredores do prédio era como de rotina.
Alunos da USP decidiram, em assembleia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) na noite de ontem, entrar em greve geral a partir de hoje, em protesto contra a presença da Polícia Militar no campus e a prisão dos colegas. Segundo o DCE, a assembleia reuniu cerca de 3 mil pessoas e determinou o apoio à libertação imediata dos manifestantes detidos. Não houve nenhuma deliberação referente a novas ocupações. A greve, no entanto, não foi acatada por todas as unidades.
A PM mobilizou um efetivo de 400 homens da tropa de choque, da cavalaria e até mesmo do grupamento aéreo (Águia) para o cumprimento de mandado judicial de desocupação da reitoria por volta das 5h, horário escolhido para surpreender os ocupantes do prédio. O prazo para a saída espontânea dos manifestantes do local havia se esgotado às 23h de segunda-feira, após trégua negociada com a Justiça. Descontentes com as propostas da administração da USP, que aceita rever mas descarta revogar o convênio com a PM, os estudantes e funcionários decidiram prolongar a ocupação, mas não resistiram à operação de reintegração de posse, preferindo empunhar flores em protesto irônico diante do forte aparato policial. As dezenas de presos, segundo a PM, incluem suspeitos de depredação do patrimônio público e indivíduos que resistiram à operação.
Histórico
A tomada da reitoria foi levada a cabo por parte de um grupo insatisfeito com a resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira passada, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio de administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana passada e tentou levar os usuários detidos.
Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.