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feliz natal?

Conheça as histórias de quem prefere passar longe das comemorações de Natal

Conheça as histórias de quem prefere passar longe das comemorações de Natal

Redação

24/12/2011 - 17h30
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Na contramão da grande maioria das pessoas, que considera o dia 25 de dezembro a data mais feliz e importante do ano, um grupo resistente faz de tudo para escapar das festividades natalinas. É isso mesmo: nada de presente, peru ou Jingle Bells. Em vez de embarcar no frenesi, essa turma prefere se desligar e adotar a reclusão para fugir da agitação e do "espírito natalino" que reina nos shopping centers.

Não gostar do Natal não é crime. Nem o problema da data, para quem declara odiar a comemoração, está no significado do dia 25 de dezembro. O que está por trás das histórias de quem odeia o Natal são os protocolos que obrigatoriamente devem ser cumpridos nesta época do ano.

 

Claro que sempre existem aqueles que desenvolvem alergias a alguns aspectos particulares da comemoração e sentem pavor só de olhar para guirlandas, presépios e bonecos de neve.

É o caso da pesquisadora Silvia Badin, que afirma "tremer de medo" sempre que se depara com a figura mais importante do Natal: o Papai Noel. "Meu filho tem medo dele e eu também", declara.

Além do pavor que diz sentir pela figura do bom velhinho, Silvia ainda faz críticas aos aspectos comerciais relacionados à data. "Consumo desvairado, lojas abarrotadas, propagandas de péssimo gosto, crianças enlouquecidas por brinquedos. A festa natalina, como todas as festividades comerciais, tem um apelo tremendo, mas os valores são representados de um jeito completamente invertido, moralista. Então a família tem que se reunir mesmo que todo mundo se odeie e se trate mal o ano todo?", pergunta a pesquisadora.

A orgia de consumo não se limita às lojas, ao contrário, assume muitas outras formas.

Comer, comer e comer como se não houvesse amanhã. Essa é a imagem que o economista Adriano Machado tem do Natal. Se pudesse, ele arrumaria uma forma de escapar da comemoração, mas para evitar julgamentos e críticas dos seus familiares, prefere respirar fundo e encarar a ceia natalina mesmo de mau-humor.

"É o pior dia do ano! Todos querem olhar aquela maravilhosa programação da TV aberta, comer, comer, comer e ainda aguentar os malditos fogos de artifício que atormentam os animais. A única coisa de que gosto é estar com meu pai, minha mãe e meus irmãos, mas isso poderia ser feito sem rojões e arroz à grega", declara o economista.

Não é nada fácil escapar dos tais protocolos natalinos, de tal modo a data está impregnada em quase todos os aspectos do dia a dia de quem vive numa cidade grande. Algumas pessoas, no entanto, acabam conseguindo encarar o dia 25 de dezembro como apenas um outro dia qualquer.

A historiadora Ana Rita Dutra dos Santos conta que a tarefa foi difícil, mas há três anos conseguiu se libertar do furor natalino. Quando era criança, Ana Rita lembra que a comemoração em sua casa era vazia e enfadonha.

"Depois, na vida adulta, eu fingia que aceitava e gostava do Natal para me sentir inserida. Até que me libertei de diversas coisas, inclusive de fingir que aturava a data", diz.

Em 2010, Ana Rita diz ter vivido seu melhor Natal pelo simples fato de a data não ter sido lembrada. "Eu e me namorado comemos uma pizza em casa, assistindo nossos seriados favoritos e só percebemos que era Natal quando os fogos de artifício começaram", lembra.

Já pensou em desligar o telefone celular, fazer as malas e buscar um refúgio onde Papai Noel nenhum vai conseguir encontrar você para cantar Noite Feliz?

Pois é isso que faz o advogado Luiz Andrade Silveira. Há pelo menos cinco anos, toda a véspera de Natal ele e sua mulher viajam para uma chácara e permanecem incomunicáveis por uma semana até a virada do ano.

"Se você deixa o telefone ligado, dezenas de pessoas começam a ligar para só para desejar um Feliz Natal, o que me dá ainda mais raiva. Faço de tudo para fugir dessas besteiras. Não gosto de confusão e muito menos de casa lotada. Para mim o importante neste período é recarregar as energias e não me estressar em uma fila de duas horas no supermercado só para garantir um peru e meio quilo de castanhas", justifica.

Apesar do tom mau-humorado, quem odeia o Natal se preocupa em preservar a festa de quem adora festejar. A historiadora, Maria Rita é a primeira a dizer que não sai por aí dando rasteira no Papai Noel. Simplesmente faz de conta que o dia não existe.

Também para Luiz,  sua fuga dos festejos é uma forma de não estragar o Natal alheio. "Não tenho nada contra quem fica dois dias descascando nozes. Toda essa tradição só não serve para mim. É por isso que faço questão de sair de cena até para não estragar a festa dos outros com as minhas irritações.  A cada ano chego a conclusão de que o verdadeiro significado do Natal raramente é lembrado pelas pessoas. O que todo mundo quer é presente", critica o advogado.

Segundo ele, em janeiro, quando tudo acaba, o brasileiro começa a se preparar para o Carnaval. "São poucos os que continuam a praticar o bem e ajudar o próximo", finaliza.

Nas histórias de quem odeia o Natal existe um sentimento de que o 'espírito de Natal', se é que ele existe, acabou ficando soterrado nos excessos e na banalidade das celebrações.

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