A contratação e fixação de médicos em municípios do interior de Mato Grosso do Sul é um dos maiores desafios da Secretária de Estado de Saúde. As condições de trabalho precárias e a insegurança de ser o único responsável pela saúde da população na cidade, impedem os profissionais de irem trabalhar em hospitais e postos no interior.
" Assim como em todo o País, temos dificuldade de interiorização e fixação de médicos em MS", desabafa a secretária de Saúde Beatriz Dobashi.
Ela destaca que já participou de debates nacionais sobre o assunto e a reclamação é geral. "São Paulo recentemente fez uma pesquisa e foi dito que não é o salário que afugenta o médico de ir para o interior. São as condições de trabalho. Não só fisícas, estruturais, como prédio, equipamentos, mas principalmente na questão da responsabilidade", explica a secretária.
A pesquisa mostrou que o médico se sente muito sozinho, sem amparo de especialistas ou pessoas mais experientes. "Esta sensação de isolamento, de ser o único responsável pela saúde da população dá um pouco de insegurança ao profissional", acrescenta.
Salários altos
A secretária diz que o interior paga salários altos, mais do que na Capital. "As vezes existe precarização de vínculo. O médico não é concursado, recebe contratação precária, não tem férias e muito menos 13º salário. Ou seja ele fica inseguro por não saber quanto tempo irá permanecer no emprego", destaca.
Em todo o País, a discussão é foco principal nos encontros. "Temos discutido entre os secretários os mas é difícil de chegar a um consenso. Pensamos em ter faixas salariais por região. Também apoiamos a ideia de criação de uma carreira nacional como existe no Judiciário. Os médicos poderiam começar em algumas cidades, e conforme avançam na carreira vão no final estar na Capital ou em alguma cidade que eles próprios escolheram. Maior homogeneidade nos salários e ter perspectiva na carreira poderia ajudar a melhorar este quadro", destaca a secretária.