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Telefonema confirma que capitão abandonou navio naufragado na Itália

Telefonema confirma que capitão abandonou navio naufragado na Itália

Redação

17/01/2012 - 08h30
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Um telefonema entre o capitão do cruzeiro Costa Concordia --que naufragou na sexta-feira (13) na Itália deixando ao menos seis mortos e 29 desaparecidos-- e a Capitania dos Portos italiana divulgado nesta terça-feira comprova que ele abandonou o navio ainda durante as operações de resgate e rejeitou repetidas ordens expressas de retornar à embarcação e auxiliar na retirada dos passageiros.

A imprensa italiana transcreve nesta terça trechos da conversa entre o capitão Francesco Schettino, de 52 anos, e a Capitania dos Portos que revelam que ocultou o motivo do naufrágio.

Segundo a imprensa italiana, o comandante estava em terra às 23h40 locais (20h40 de Brasília), e os últimos passageiros só foram resgatados por volta das 5h local (3h de Brasília).

Às 21h54 (18h54 de Brasília), com o navio já encalhado em frente à ilha de Giglio, no centro da Itália, o capitão garantiu que tudo estava bem e enfrentava apenas um problema técnico.

Segundo o "Corriere della Sera", a Capitania perguntou a Schettino às 0h32 (21h32 de Brasília) quantas pessoas ainda restavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

A resposta fez levantar suspeitas à Capitania que perguntou se ele ainda estava a bordo e Schettino confessou que o navio estava inclinando e ele havia deixado a embarcação.

"Mas como abandonou o navio?", perguntaram a partir da Capitania.

Mesmo que o capitão tenha se retratado dizendo que não tinha abandonado o cruzeiro, a partir da Capitania ninguém conseguiu encontrá-lo.

"Volte imediatamente a bordo, suba pela escada de segurança e coordene a evacuação. Deve nos dizer quantas pessoas há lá dentro: crianças, mulheres, passageiros, o número exato de cada categoria", acrescentaram.

"Comandante, é uma ordem, agora comando eu. Anteriormente o senhor declarou que havia abandonado o navio, volte à proa e coordene o resgate porque há mortos", exigiram.

TÁXI PARA UM HOTEL

Conforme os investigadores, Schettino, que estava em terra firme e não retornou ao transatlântico, perguntou quantos corpos havia na tragédia.

"É o senhor quem tem de me dizer quantos. O que quer fazer? Ir para sua casa? Volte imediatamente e nos diga o que é preciso fazer, quantas pessoas restam e o que necessitam", ordenaram a partir da Capitania.

O comandante garantiu que voltaria, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso, afirmam que ele não voltou e o viram pegar um táxi em direção a um hotel.

Como informou a empresa dona do transatlântico, a Costa Cruzeiros, o naufrágio foi causado por um "erro humano" do capitão que aproximou a embarcação até 150 metros do litoral dessa pequena ilha do mar Tirreno. A manobra acabou levando o barco para as rochas.

ARRASADO E PERTURBADO

Em nota, o advogado dele, Bruno Leporatti, disse que o capitão está "arrasado, perturbado e entristecido com a perda de vidas", mas considera que conseguiu salvar muitas vidas ao realizar uma difícil manobra de emergência com as âncoras depois do acidente, o que deixou o barco mais perto da costa.

Foschi negou as acusações de que os passageiros não teriam sido treinados para abandonar o navio, onde ocorreram cenas de pânico e caos depois da colisão.

Havia a bordo cerca de 1.020 tripulantes de 38 países, mas a maioria trabalha com alimentação e entretenimento, sem experiência específica com assuntos navais.

O executivo chamou os tripulantes de "heróis" e disse que eles reagiram corretamente. "Tivemos de retirar mais de 4.200 pessoas em circunstâncias difíceis, então toda a operação levou mais de duas horas. A razão para isso é que a inclinação do navio não nos permitiu usar ambos os lados para retirar as pessoas."

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