1) Planeta dos Macacos
A primeira adaptação de "Planeta dos Macacos", de 1968, baseada no romance do francês Pierre Boulle, inaugurou a franquia que virou febre nos anos 1970. Por conta de recursos escassos, a produção do diretor Franklin J. Schaffner não era tão futurista quanto no livro, que falava de engenhocas e máquinas voadoras. Mesmo assim, a abordagem direta fez com que o filme tivesse muito mais impacto do que a refilmagem estilizada de Tim Burton. O orçamento 20 vezes maior, os avanços na maquiagem e cenários suntuosos não garantiram simpatia alguma ao remake, sem contar a injustiça que é comparar os dois protagonistas (Charlton Heston, no original, e Mark Walhberg). Burton manteve o final do livro, mas é o primeiro longa que permanece imortal. A decisão da Fox de reiniciar a franquia com "Planeta dos Macacos: A Origem" e não mexer nos originais se mostrou acertada, tanto que o filme foi um sucesso de público e crítica.
2) Bravura Indômita
A princípio um folhetim numa revista semanal, depois um best-seller nos Estados Unidos, o romance homônimo de Charles Portis ganhou as telas pela primeira vez em 1969, numa versão comandada por Henry Hathaway, pau-mandado dos estúdios. Numa época em que a contracultura ganhava as ruas, "Bravura Indômita" serviu como uma despedida à Hollywood de antigamente. Usando tapa-olho e lenço rosa no pescoço, John Wayne ganhou um Oscar por seu papel como o xerife Rooster Cogburn. Tudo era antiquado: figurinos, enquadramentos, trilha sonora, casting. Em 2010, os irmãos Joen e Ethan Coen resolveram voltar ao livro e fizeram uma adaptação fiel, realista e nada sentimental, estrelada por Jeff Bridges no auge de sua carreira. Recebeu dez indicações ao Oscar (não ganhou nenhuma) e uma recepção avassaladora nas bilheterias.
3) Dragão Vermelho
Publicado por Thomas Harris em 1981, o livro que apresentou ao mundo o psicopata Hannibal Lecter ganhou sua primeira adaptação cinco anos depois pelas mãos de Michael Mann, que dirigiu e escreveu o filme, rebatizado como "Manhunter - Caçador de Assassinos" (embora no Brasil eventualmente as emissoras exibam o longa na TV como "Dragão Vermelho"). William Petersen, famoso depois por seu papel em "CSI", é o protagonista, no papel do detetive que, aposentado depois de capturar Lecktor (Brian Cox) – o personagem teve o sobrenome alterado –, retorna à ativa para ajudar o FBI com outro serial-killer. O sucesso de "O Silêncio dos Inocentes" (91) e "Hannibal" (2001) motivou um remake do primeiro filme, com Brett Ratner ("A Hora do Rush" e por pouco tempo à frente do Oscar 2012) na direção e Edward Norton e Anthony Hopkins nos papéis principais. A refilmagem, no entanto, não manteve o clima asfixiante e sombrio da versão de Mann, que, apesar de menosprezada à época, ganhou status de cult com o passar dos anos.
4) King Kong
O gigantesco macaco pré-histórico ganhou sua fama com o clássico de 1933. Na história escrita por Edgar Wallace, uma equipe de filmagem ruma para uma remota ilha no Oceano Índico para rodar algumas cenas. Na chegada, nativos sequestram a estrela (Fay Wray) e a oferecem em sacrifício a Kong. O macaco, no fim das contas, é capturado e levado como atração circense a Nova York. "King Kong" marcou época pelos efeitos especiais desafiadores, em stop-motion, e não perdeu o impacto com o passar das décadas. O longa ganhou uma refilmagem de Peter Jackson em 2005, mas antes disso foi recuperado em 1976 pelo produtor Dino De Laurentiis (o mesmo de "Manhunter"). Com Jessica Lange e Jeff Bridges nos papéis principais, a produção setentista foi realocada para os tempos atuais e, ao invés de uma filmagem, a expedição à ilha buscava petróleo. No lugar do Empire State, o final se passava no World Trade Center. Mal recebido pela crítica, "King Kong" foi um sucesso de bilheteria (assim como a versão de Jackson), mas envelheceu mal: o filme de 1933 era feito com bonecos, o que não sai de moda, ao contrário de uma pessoa fantasiada, caso do segundo King Kong
5) Onze Homens e Um Segredo
As duas versões são um bom exemplo de como filmar uma mesma história por pontos de vista diferentes - e com resultados positivos. A primeira, de 1960, trazia cinco integrantes do Rat Pack, grupo de astros que costumava trabalhar junto nas produções da época – neste caso, eram Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop, acompanhados pelo elemento feminino, Angie Dickinson. Danny Ocean (Sinatra) comanda um bando de veteranos da Segunda Guerra que planeja roubar cinco cassinos de Las Vegas na mesma noite, aproveitando uma falha elétrica nos caixas de cada um. Quarenta anos depois, Steven Soderbergh fez uma versão deliciosa, mais ágil e tecnológica, mas tão charmosa quanto a original. O bando de ladrões é comandado por George Clooney, com Brad Pitt, Matt Damon e Julia Roberts no elenco. O filme deu tão certo que originou duas sequências, sem o mesmo brilho, mas igualmente bem-sucedidas.