“Existem dois tipos de moradores de rua. Aquele que aceita receber o acolhimento e aquele que prefere ficar na rua”, explica a secretária municipal de Políticas e Ações Sociais e Cidadania (SAS), Nilva Santos.
Um dos pontos conhecidos pela concentração de moradores de rua em Campo Grande é o viaduto do macro anel viário, na saída para Três Lagoas (MS). O local é frequentado por pessoas que são atendidas no Centro de Triagem e Apoio ao Migrante (Cetremi) e no Centro de Reabilitação Especializada de Assistência Social (Creas), que ficam nas proximidades do viaduto.

“No Cetremi há regras, na rua não”, alega Nilva, dizendo ainda que muitos preferem a liberdade das ruas e procuram os centros de assistência social apenas quando precisam tomar banho ou se alimentar.
Os trabalhos são feitos em duas etapas, explica a secretária. “Primeiro fazemos o acolhimento do morador, onde é feito os cuidados emergenciais como higiene e alimentação. Depois fazemos o atendimento para verificar as necessidades e, até a situação estar encaminhada, o morador de rua é acomodado nas casas de apoio (albergues) da cidade”.
“No Cetremi há regras, na rua não”
De acordo com a SAS, Campo Grande tem 50 moradores de rua contabilizados pelo órgão. “É um número pequeno se comparado com outras grandes cidades do país”, afirma Nilva.
Os motivos que levam alguém a utilizar o espaço da rua como moradia é dos mais variados. A secretaria esclarece que a maioria dos moradores de rua da cidade são dependentes de bebidas alcoólicas. “Isso se dá por alguns fatores. A pessoa é alcoólica e perde o vinculo com a família ou a pessoa perde o vinculo com a família e, com a convivência no ambiente da rua, adquire o vício.

Segurança
Muitos moradores fazem denúncias à polícia com medo da movimentação que acontece diariamente no pontilhão do anel viário, mas o responsável pelo policiamento na região, tenente Musile, garante que não há com o que se preocupar. “As pessoas ficam com a sensação de insegurança ao verem os moradores de rua mal vestidos”, explica o tenente, informando que a polícia realiza o trabalho preventivo na área, fazendo abordagens e orientando os sem-teto a voltarem ao Cetremi.
O oficial aponta ainda que houve redução de crimes como roubos e furtos na região se comparar 2011 com o ano anterior. “Crimes existem, mas os índices são favoráveis, a área é tranquila”, finaliza.