O número de mortes causadas pelo frio na Europa subiu para 79 nesta quarta-feira, quando as temperaturas chegaram abaixo dos 30 graus negativos em várias regiões, causando cortes de energia, caos no trânsito e o fechamento de escolas e creches.
Até agora, seis países europeus registraram mortes por causa da onda de frio: Ucrânia, Romênia, Polônia, Sérvia, Bulgária e Rússia. A situação mais grave é a da Ucrânia. De acordo com o Ministério de Emergências, o frio deixou 43 mortos, sendo que 28 foram encontrados nas ruas, oito morreram em hospitais e sete em casa.
Mais de 720 foram hospitalizados para tratar hipotermia ou ferimentos causados pelo frio. As autoridades abriram mais de 1.730 abrigos para oferecer aquecimento, comida, chá e café para moradores de rua. O governo pediu que os hospitais não liberem moradores de rua, mesmo que seu tratamento tenha sido finalizado.
“Infelizmente as pessoas continuam morrendo, mas estamos tomando todas as providências para impedir que isso aconteça’, disse a porta-voz do Ministério da Saúde, Svitlana Tikhonenko.
O primeiro-ministro do país, Mykola Azarov, fez um apelo para que os ucranianos “se mantenham atentos, usem roupas quentes e ajudem uns aos outros”. “Peço a todos os cidadãos, empresas e organizações que não sejam indiferentes, que apóiem e protejam aqueles que não podem se proteger neste momento difícil”, afirmou. “Somos um só povo”.
A declaração foi feita após analista sugerirem que o alto número de mortos indica a incapacidade das autoridades ucranianas de resolver a situação dos moradores de rua.
Em entrevista à Associated Press, Pavlo Rozenko, especialista em políticas sociais do centro Razumkov, em Kiev, disse que as autoridades ucranianas mantêm o legado soviético que vê moradores de rua como alcoólatras e viciados em drogas, que devem ser banidos da sociedade.
“Esse país ainda não sabe cuidar de seus mendigos", afirmou.
Helicópteros de resgate
Em algumas regiões da Sérvia e da Bósnia, o governo usou helicópteros para resgatar dezenas de moradores de vilarejos bloqueados pela neve, e também para entregar mantimentos a quem não consegue sair de casa.
Na Sérvia, 12 pessoas foram resgatadas na região central do país. Nove tinham ido a um funeral e ficado impedidas de voltar para casa por causa das estradas cheias de neve.
O país registrou cinco mortes causadas pelo frio. “A situação é dramática. Em alguns lugares você só consegue ver os telhados das casas, em meio à neve”, afirmou o médico Milorad Dramacanin, que participou das operações de resgate com helicópteros.
Na Bósnia, o governo estima que entre 200 e 300 moradores estejam impedidos de sair de suas casas por causa da neve. “Estamos tentando chegar a vários vilarejos onde há muitos idosos”, disse Milimir Doder, que participa das operações de resgate. “Estamos distribuindo remédios e comida.”
Alguns destes vilarejos estão sem eletricidade, disse Doder. “Se mais neve cair, a situação pode ficar crítica”, acrescentou.
Japão
O Japão também sofre com um rigoroso inverno. De acordo com autoridades, mais de 50 mortes foram causadas na última semana, após fortes nevascas no norte e no centro do país.
A previsão é que a nevasca continue em todo o país nos próximos dias.
Com AP