Durante o depoimento que deu à promotora Daniela Hashimoto nesta quarta-feira, Lindemberg Alves Fernandes negou que as ameaças de morte contra Eloá Pimentel, morta aos 15 anos em 2008, tenham sido reais, e disse que tudo não passou de um "blefe".
"Pode ser que eu tenha dito, mas eu não me lembro. Muita coisa que eu disse foi um blefe", afirmou o réu, após a promotora lembrá-lo de que ele disse à Polícia Militar que iria matar a estudante e depois se matar. A declaração a que ela se referia foi feita por telefone ao negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) Adriano Giovanini, e a conversa foi gravada.
Segundo Lindemberg, os blefes eram uma estratégia para manter a polícia longe do apartamento. Além disso, o réu afirmou que precisava manter "algum tipo de intimidação" sobre Eloá, pois ela era mantida em cárcere privado.
Ele, contudo, disse que não a agrediu fisicamente e, ao questionado sobre os hematomas que a vítima tinha no corpo, relatou que ela "ficava roxa" quando estava nervosa. "Eu sei que quando a Eloá ficava nervosa, apareciam umas manchas roxas nas pernas e nas mãos", disse.
Lindemberg disse ainda que nunca sentiu raiva pela amiga de Eloá, Nayara Rodrigues - mantida em cativeiro e baleada durante o crime -, rebatendo o que a estudante contou em seu depoimento na última segunda-feira. Segundo o réu, Nayara sempre o ajudou a negociar o fim do cárcere privado com a Polícia Militar, mas ele não soltou as reféns por não ter "sentido confiança" no que os negociadores diziam.
A Nayara sempre me ajudou (a negociar a saída). Mas eu não senti plena confiança na PM", afirmou. Lindemberg disse ainda que, mesmo sob o clima tenso, ele e as vítimas encaravam a situação como se fosse uma "brincadeira" em alguns momentos, e que isso o aproximou muito de Nayara."Nós ficamos muito próximos lá dentro."