Quarenta leitos de psiquiatria estão na iminência de serem fechados até abril próximo no Hospital Nosso Lar, mantido pelo Centro Espírita Discípulos de Jesus, em Campo Grande. A informação foi dada ontem pela direção do estabelecimento, segundo a qual esse número de leitos corresponde ao módulo estipulado pelo Ministério da Saúde. Quando ocorre fechamento na categoria desse hospital, ele não pode ser inferior a esse número.
“A situação é insustentável”, afirma a diretora-geral do hospital, Ângela Mara Barsante Santos Moreno. Explica que custa R$ 25 mil por mês o consumo de 22,5 mil pães, 1,2 tonelada de arroz, 540 kg de feijão, 1 t de carne, três mil litros de leite, mais hortifrútis, suficientes para cinco refeições diárias com cardápios variados.
Esse é mais um pedido de socorro. Os dois únicos hospitais psiquiátricos do Estado de Mato Grosso do Sul dispõem de apenas 270 leitos – 220 em Campo Grande e 50 em Paranaíba, numa média de 0,48 leitos por mil habitantes. Ou seja, 81% dos leitos estaduais estão na Capital, e 46% são ocupados por pacientes do interior.
Se a medida confirmar-se, afetaria também 46 dependentes ali acolhidos, mesmo depois de iniciada uma campanha nacional anti-crack, na qual o governo prevê investimentos de R$ 2 bilhões em todo o País. Tradicionalmente, esse hospital cuida de alcoólicos e fumantes em geral. “Somos tratados como uma clínica conveniada ao SUS”, diz a diretora-geral.
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