Rozilene, 33 anos, formou-se e trabalhou por seis anos com adultos. Foi a curiosidade que a fez querer mudar de setor e pleitear uma vaga na UTI neonatal da Santa Casa, onde trabalhava em 2007. Conseguiu a transferência e, hoje, não consegue se imaginar trabalhando em outro setor. "Cheguei a ficar no CTI adulto quando voltei da licença-maternidade, há dois anos, aqui no Regional. Aguentei três meses e pedi encarecidamente para voltar para os meus recém-nascidos", conta, lembrando que questionava cada um dos procedimentos dos quais participava: "Se fosse com um recém-nascido, faríamos de tal jeito", lembra.
Enquanto a curiosidade foi o fator que motivou Rozilene a trabalhar com crianças, a vontade parece ter nascido com Stephanie Hamer Ize, enfermeira responsável pela maternidade do Hospital Geral El Kadri. Aos 24 anos de idade, não lembra de ter pensado em trabalhar em outro setor. Formou-se e logo fez pós-graduação em pediatria e neonatal, e hoje está prestes a terminar a segunda pós, em obstetrícia. "Costumo dizer que não sou mãe, mas tenho um filho diferente todos os dias", brinca.
O carinho é tanto, que a retribuição é garantida. Recadinhos, cartas de agradecimento e fotos dos bebês são lembranças corriqueiras recebidas pela enfermeira. "Fica muito nítido o carinho e o cuidado com que ela cuida dos bebês. Sem falar na segurança que a experiência dela passa pra gente", conta Grazielle Miyashiro Arantes, mãe da pequena Júlia, nascida no dia 6 de maio.
A dor da doença
Mas não é só com a alegria do nascimento que essas profissionais lidam. Márcia Alves Gonzales, de 23 anos, trabalha no Pronto Socorro da pediatria da Santa Casa cuidando de crianças que têm desde pouco mais de uma semana de vida até 11 anos de idade. Todos os pequenos que passam por ali estão com alguma doença; pneumonia e desidratação são as mais recorrentes. Às vezes ficam um dia, às vezes dois, às vezes sete.
"Quando soube que viria para a pediatria fiquei muito assustada. Tive medo de não conseguir, de não dar conta da responsabilidade, porque criança demanda o dobro de cuidado. Além das crianças, que nem sempre conseguem expressar o que sentem, lidamos com mães nervosas, estressadas, preocupadas com a situação do filho", relata a enfermeira.
Mas o temor passou e hoje, apesar das dificuldades, Márcia nutre verdadeira paixão por trabalhar com crianças. "O trabalho acabou influenciando no relacionamento com o meu filho, Gustavo Victor, de quatro anos. Sempre que passo por alguma situação complicada ou vejo algo muito triste, chego em casa e o abraço e beijo muito. Ele chega a falar: Chega mamãe!".
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