Ações de pacificação, obras de urbanização e projetos sociais não são suficientes para dar segurança aos moradores de favelas cariocas. Com as melhorias, eles temem agora não ter condições de se manter nos atuais endereços, valorizados pela nova qualidade de vida que a pacificação traz para essas comunidades. O aumento do custo de vida e a especulação imobiliária já provocam reflexos em um processo que vem sendo chamado de "remoção branca" ou "remoção camuflada" pela socióloga Marilia Pastuk.
Superintendente da organização não governamental Ação Comunitária do Brasil no Rio Janeiro, Pastuk lançou o livro A Favela como Oportunidade - Plano da sua Inclusão Socioeconômica. A publicação apresenta um retrato das favelas do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho e da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, além de Manguinhos e Borel, na zona norte.
Na publicação, a socióloga destaca "a pressão" que as melhorias na infraestrutura e o combate ao tráfico de drogas causaram nas comunidades. Explica que moradores temem perder os imóveis porque ainda não têm o documento de posse e que reclamam do peso, no orçamento familiar, da cobrança por serviços essenciais como água e luz que, antes da pacificação, eram acessíveis por meio de ligações clandestinas.