O ato de doar sangue não é um hábito comum da maioria da população e isso tem causado problemas nos hemocentros, responsáveis pela coleta e distribuição das bolsas de sangue. Em Mato Grosso do Sul, são coletadas cerca de seis mil bolsas todos os meses, no entanto, se esse total aumentasse em pelo menos mil unidades (16,6%), já atenderia adequadamente e sem riscos de falta, a demanda frequente das unidades hospitalares do Estado.
Segundo a coordenadora da Hemorrede em MS, Eliana Dalla, o ideal seria que se chegasse a pelo menos 3,5% da população do Estado doando sangue regularmente. Isso abasteceria os bancos de sangue e evitaria que cirurgias fossem adiadas e pacientes deixassem de ser atendidos, como tem ocorrido no Hospital Univesritário.
Depois do câncer atingir o pai e o irmão, a profissional autônoma Sandra Elizabeth Portes, 49 anos, decidiu que seria doadora de sangue de carteirinha. “Tive de doar sangue para a minha família e fiquei imaginando como é fundamental esse ato, pois salva vidas”, comenta a doadora. Desde 1998, ela mantém uma periodicidade de a cada três a quatro meses ir até o Hemocentro e doar sangue. “Não dói nada, o sangue não vai faltar para mim e pessoas podem ter a saúde prejudicadas se não houver sangue”, cita a autônoma, que tem o sangue tipo A-.
Já o representante comercial Elson de Souza, 32, é doador de sangue fiel há seis anos. Ele conta que foi sensibilizado por campanhas realizadas pela mídia. “Via a necessidade das pessoas e como um ato simples poderia ajudar. A gente vem aqui fica pouco tempo (cerca de 40 minutos entre o processo de responder a questionário, doar sangue e tomar um lanche) e salva vidas”, descreve o representante comercial, que tem sangue A+, e vai ao Hemocentro uma vez por ano.