A presença de um homem condenado por crimes sexuais na balsa que levava a Família Real pelo rio Tâmisa, em Londres, durante as comemorações do jubileu de diamante da rainha Elizabeth II, causou constrangimento aos responsáveis pela segurança do evento. Desconhecido das demais personalidades que estavam na embarcação, Harbinder Singh Rana, 52 anos, alegou ter sido convidado pelo gabinete do príncipe Charles. As informações são do site do jornal Mirror.
Questionada pelo jornal, a equipe de Charles disse desconhecer o passado de Singh Rana, que foi condenado a quatro anos de prisão por abusos cometidos contra várias mulheres em 1986. De acordo com o processo, Singh Rana se fazia passar por um médico para entrar nas residências de suas vítimas e as convencia de que era necessário realizar exames íntimos - em alguns casos, o falso médico chegou a aplicar injeções nas mulheres.
Singh Rana afirmou que ninguém perguntou a ele sobre eventuais problemas com a polícia, e que nenhum segurança checou qualquer informação sobre seu passado. "Eu não sei que tipo de checagem eles fazem ou como eles fazem. (...) Não precisei dizer a ninguém (sobre os crimes sexuais)", afirmou.
"Eu recebi um convite e compareci. O fato de que o Príncipe de Gales me convidou claramente demonstra o que eu tenho feito pela comunidade desde então", defendeu-se. Atualmente, Singh Rana trabalha em um grupo que promove a comunidade Sikh no Reino Unido. "Eu deixei claro que eu não estava representando a comunidade Sikh, eu fui lá porque estava muito feliz por ter sido convidado. Eu tenho um relacionamento com alguns dos membros da equipe de Charles, mas não com ele - apesar de ter, sim, me encontrado com ele em alguns eventos", disse.
Passado o evento, a falha na segurança, que permitiu que um homem condenado por abusos sexuais permanecesse a poucos metros de distância da rainha e diversas mulheres da alta sociedade britânica, gerou fortes críticas. "No mínimo, é extremamente decepcionante que alguém como ele tenha sido autorizado a se infiltrar em um evento tão exclusivo e prestigiado como esse", afirma a doutora Kate Cook, especialista em crimes sexuais. "Imagine o quão horrorizada você se sentiria se visse o homem que a atacou parado ao lado da rainha", diz a doutora. Questionado, um porta-voz da Scotland Yard afirmou que não comentaria os detalhes da checagem de segurança do evento.