O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu nesta quarta-feira à Polícia Civil que instaure um novo inquérito para apurar se Elize Matsunaga teve ajuda de outra pessoa para matar e esquartejar o marido - o empresário Marcos Kitano Matsunaga, executivo da empresa de alimentos Yoki - morto em maio deste ano. De acordo com o promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, do 5º Tribunal do Júri da capital paulista, os laudos da perícia, do exame de DNA e outros indícios apontam que a bacharel em Direito não agiu sozinha. A investigação deve ser realizada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com o promotor, responsável pela acusação, foi encontrado material biológico (entre eles sangue) que indicam a presença de pelo menos mais uma pessoa, além de Elize e da vítima, no local do crime.
"Foram encontrados três tipos de materiais biológicos no local: um do Marcos, outro do sexo masculino que não é a vítima, e um de uma pessoa do sexo feminino", explicou Consezo.
Entretanto, não é possível apontar se esse material biológico já estava no local antes do crime ocorrer. Por isso, o inquérito não poderá se basear apenas na identificação do "proprietário" do DNA. O MP pediu, então, que sejam realizadas mais de 40 diligências, como colher novamente os depoimentos de algumas testemunhas, analisar imagens do circuito de segurança do prédio, entre outros pontos.
Além do exame de DNA, a Promotoria se baseou também em outro laudo da perícia para solicitar a investigação: o exame dos pedaços do corpo do empresário, cujas marcas apontam diferentes técnicas na realização dos cortes. Em algumas partes, foram usadas técnicas de cortes cirúrgicos - Elize era técnica de enfermagem e tinha profundo conhecimento em anatomia humana. Em outras, os cortes deixaram "retalhos" da pele e sangue, o que indica que teria sido feito por uma pessoa sem nenhum conhecimento cirúrgico.
"O legista me apontou que havia duas ou mais pessoas na cena do crime em razão da técnica dos cortes", completou o promotor, que disse ainda que, de acordo com as provas coletadas até agora, a maior probabilidade é que esse suposto "ajudante" tenha participado da ação após o assassinato: ou seja, do esquartejamento e da ocultação do cadáver.
O promotor elogiou a atuação da Polícia Civil na primeira fase da investigação, que foi capaz de apontar Elize como a assassina. Entretanto, como ela foi presa preventivamente poucos dias após o início da investigação, o DHPP não teve tempo hábil para dar sequência à apuração sobre a possível coautoria do crime, explicou Cosenzo. Embora a viúva de Mastunaga tenha confessado o crime, ela sempre negou ter tido ajuda para matá-lo.
Apesar da abertura de um novo inquérito, a acusação diz que o fato não muda a situação de Elize, que responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação e destruição de cadáver. Já se for comprovado que ela teve ajuda para realizar o crime, essa pessoa poderá responder por coautoria e ocultação de cadáver. No próximo dia 12 de novembro, será realizada a nova audiência no Tribunal de Justiça para apontar se ela irá a júri popular.