O difícil trabalho de recuperação dos usuários de crack começa no contato diário e direto com os agentes sociais. A experiência acumulada nos últimos três anos nas comunidades de Manguinhos e Jacarezinho, no Rio, demonstra que a chamada busca ativa dos dependentes da droga pode ser o caminho mais promissor para a reinserção social. Com isso, o resgate positivo chega a 50% dos usuários.
A assistente social Conceição Monteiro, da Secretaria Municipal de Assistência Social, percorre os becos e vielas das comunidades em busca dos dependentes, juntamente com outros especialistas de sua equipe, incluindo psicólogos e agentes de educação. “Já fazemos um trabalho sistemático de abordagem de população de rua nas comunidades de Manguinhos e Jacarezinho desde 2009. Este trabalho é diário, assim como o acolhimento e o acompanhamento das famílias. A gente está criando ações mais diretas para atender à demanda de forma mais ágil, tendo em vista que os usuários estão migrando para outros pontos. Então, a gente está indo atrás deles, mesmo em mudança de local, para poder oferecer o serviço de assistência.”
Para facilitar a presença diária nas duas comunidades - que abrigam cerca de 70 mil moradores e eram associadas até o último dia 14, quando houve a ocupação pelas forças de segurança, ao forte consumo de crack – a secretaria decidiu reforçar o trabalho. Um micro-ônibus serve como ponto de referência e acolhimento, ficando baseado em diferentes locais a cada dia. Essa proximidade é a chave, segundo a assistente social, para a recuperação dos usuários.