A mesária que foi detida ontem (28) pela Polícia Federal, acusada de abandono de seção na escola Elizabel Maria Sales, Bairro Santa Luzia, disse hoje (29) ao Portal Correio do Estado por telefone que não deixou o local e nem desacatou o juiz auxiliar Paulo Afonso de Oliveira, que lhe deu voz. “Eu estava parada na porta do local porque o TRE orienta que um de nós deve ficar lá. Quando saí, foi só para ir ao banheiro e tomar água. Em nenhum momento abandonei a seção para tomar tereré. Não sei o porquê do juiz ter achado isso”, declarou.
Segundo ela, o juiz chegou na seção em que ela era presidente de mesa e pediu para um dos fiscais de partido se retirar. “Ele disse que não poderiam ficar dois fiscais de um mesmo partido no local. Eu pedi desculpas e falei que desconhecia essa informação. Quando ele saiu, uma das fiscais veio conversar comigo e eu disse que, por ordem do juiz, ela não poderia mais ficar lá”, afirmou. Neste momento, segundo a presidente de mesa, o juiz voltou, viu a fiscal na porta e teria se alterado. “O juiz começou a gritar e eu pedi para que falasse baixo comigo. Ele disse que eu não deveria estar trabalhando lá, que era pior do que boca de urna. Respondi que então, nas próximas eleições, ele poderia tirar meu nome do cadastro. Foi aí que ele me deu voz de prisão”.
De acordo com a mesária, ela foi encaminhada em uma viatura até a Polícia Federal, onde assinou um termo de compromisso para comparecer ao TRE quando solicitada e prestar esclarecimentos sobre a acusação de abandonar o serviço eleitoral. “Fiscais de partido e mesários vão depor a meu favor, dizendo que não me ausentei”, disse. A presidente de mesa alega que trabalha voluntariamente há mais de 11 na Justiça Eleitoral e nunca teve problemas.