A onda de violência que afeta os Estados de São Paulo e Santa Catarina é destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira. O site americano The Huffington Post destaca que, após uma trégua de seis anos entre a polícia e o crime organizado, a violência voltou a assustar moradores de favelas de São Paulo. Já o jornal argentino Clarín repercute os ataques em Florianópolis e outras cidades catarinenses, um dos principais destinos dos turistas argentinos no Brasil. Lembrando que São Paulo receberá a abertura da Copa do Mundo em 2014, o site americano ouviu moradores de favelas paulistanas que relatam cenas de guerra e informa os quase 150 homicídios nas últimas duas semanas, além dos 94 policiais executados este ano. Ao The Huffington Post, especialistas disseram que os ataques são uma resposta à "quebra da trégua informal" entre o governo e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O diário argentino ressalta que a violência chegou a Florianópolis mesmo sem diminuir na capital paulista. O Clarín destaca que, entre os 35 ataques que ocorreram desde segunda-feira, um ônibus foi incendiado "na conhecida praia dos Ingleses". De acordo com o jornal, a onda de crimes ameaça o setor hoteleiro, que tema uma baixa no turismo justo no final do ano. "Em um dos hotéis de Florianópolis, os gerentes informaram aos hóspedes que evitem os ônibus e não saiam à noite", diz a reportagem.
Ao Clarín, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira de Santa Catarina disse que "sem dúvidas, isso afeta o turismo". A entidade também avalia que as regiões mais turísticas foram escolhidas de forma deliberada pelos criminosos para realizar os ataques. Desde o início do ano, ao menos 92 policiais foram assassinados no Estado. Desse total, 18 eram aposentados e três estavam em serviço. Além disso, o Estado continua a enfrentar um grande índice de violência. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, só na capital houve um crescimento de 102,82% no número de pessoas vítimas de homicídio no mês de setembro, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em todo o Estado, a alta foi de 26,71% no mesmo período.
A partir do dia 12 novembro, o Estado de Santa Catarina também registrou uma série de atentados, com mais de 20 ataques contra ônibus e bases da polícia. Enquanto os coletivos foram alvos somente de incêndio, algumas bases policiais também foram alvejadas. Na região norte de Florianópolis, o carro de um policial civil foi incendiado. Ao todo, a polícia prendeu 27 suspeitos de participação nos crimes, sendo 12 adolescentes. Na segunda-feira, dia 12, uma funcionária de uma empresa de administração prisional recebeu uma mensagem no celular que avisava sobre os ataques, que seriam uma represália a supostos maus tratos ocorridos dentro da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.