O plano de reduzir impostos para a classe média e aumentar a carga tributária aos mais ricos foi o foco do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua primeira entrevista coletiva após ser eleito para um segundo mandato, nesta quarta-feira. Antes mesmo de começar a responder às perguntas, Obama afirmou: "Não podemos manter a classe média refém enquando discutimos corte de impostos para os mais abastados".
O presidente se referia ao mecanismo automático de aumento de taxas para todos os contribuintes americanos e corte de gastos públicos, previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2013. As medidas devem causar um "abismo fiscal" para o país, tirando da economia algo em torno de US$ 600 bilhões - isso pode levar os EUA a uma queda de 0,5% no PIB no primeiro trimestre do ano que vem. "Há um prazo muito claro que nos exige tomar grandes decisões sobre empregos, impostos e deficit até o fim do ano. Ambos os partidos votaram para fixar esse prazo, e acredito que ambos também podem trabalhar juntos para tomar essas decisões de uma forma responsável", disse o presidente.
Basicamente, Obama quer convencer a Câmara dos Representantes, dominada pelo Partido Republicano, a impedir que o aumento das taxas incida sobre todos. "Se o Congresso não agir, os impostos subirão para 98% dos americanos que ganham menos de US$ 250 mil por ano e 97% dos pequenos negócios que também não arrecadam mais de US$ 250 mil ao ano". Explica-se a ênfase de Obama neste número: os contribuintes e empresas que ganham mais que esse valor por ano são beneficiados por um corte de impostos estabelecido em 2001 e 2003, durante o primeiro mandato de George W. Bush. Obama tentou derrubar essa medida em 2010, mas fracassou por não conseguir negociar com os parlamentares. O pacote já expiraria no fim do ano, e Obama afirmou nesta quarta-feira que não pretende estendê-lo. "Não deveria ser surpresa para ninguém. Isso era uma grande diferença entre mim e Mitt Romney. Quando o assunto era redução de deficit, sempre argumentei por uma abordagem responsável e equilibrada, e parte disso incluía assegurar que os americanos pagassem um pouquinho mais."