O réu Itamar Messias dos Santos, 32 anos, foi condenado a 20 anos de prisão - em regime inicial fechado - por participação na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Ele é o sexto condenado no caso. Santos era um dos integrantes da quadrilha que sequestrou a vítima no dia 18 de janeiro de 2002 na zona sul da capital paulista. O réu foi julgado por homicídio duplamente qualificado, por agir sem possibilidade de defesa da vítima e motivado por promessa de recompensa financeira.
O julgamento ocorreu no Fórum de Itapecerica da Serra (SP). A sentença foi proferida pelo juiz Antonio Augusto de França Hristov, às 18h34. No início da sessão, Santos optou por permanecer calado durante seu interrogatório. Após sequestrar Celso Daniel, o grupo teria levado o ex-prefeito para um cativeiro em Juquitiba, na Grande São Paulo. A vítima foi morta aproximadamente 24 horas depois, na madrugada do dia 20 de janeiro.
Para o promotor de Justiça Márcio Augusto Figgi de Carvalho, o ex-prefeito morreu "porque peitou quem quis enriquecer pessoalmente". De acordo com o MP, a prefeitura de Santo André estava envolvida em um esquema de corrupção para receber propina de empresas de transporte - para levantar fundos para as campanhas de 2002 do Partido dos Trabalhadores.
Celso Daniel teria conhecimento do esquema, mas tomou providências para acabar com a fraude, quando descobriu que havia pessoas embolsando o dinheiro. Isso teria motivado a sua morte.
O advogado Airton Jacob Gonçalves Filho disse que não iria tentar negar o óbvio, "que está robusto nos autos". Ele admite a participação de Santos no sequestro do ex-prefeito, mas nega qualquer participação dele na sua morte. "Itamar, tendo participado do sequestro, não adere à vontade de matar Celso Daniel", disse. De acordo com o defensor, era inegável a participação de Santos no momento do sequestro, provado, inclusive, pela presença de impressões digitais dele no veículo de onde Celso Daniel foi retirado, na zona sul da capital paulista.