Na esteira do complexo fechamento do lixão, em Campo Grande, formou-se, em frente ao lugar, perto do conjunto José Teruel, região do bairro Dom Antônio Barbosa, uma favela construída por desempregados, famílias sem-teto e coletores de lixo. Até agora, segundo moradores do local, algo em torno de 300 barracos foram erguidos ali com pedaços de madeira, sucatas e lonas.
Os moradores disseram ter invadido a área porque ficaram sem dinheiro e emprego e foram despejados das casas que alugavam. Rodvan Soares Reis, 25, disse que ganhava a vida catando no lixo materiais recicláveis, atividade que, segundo ele, rendia em torno de R$ 100 por dia, até o dia 17 de dezembro do ano passado, quando o lixão foi fechado. “Fui despejado, o jeito foi invadir a área”, disse.
Mas a maior parte dos vizinhos de Reis nunca entraram no lixão e entraram na área da prefeitura motivados pelo movimento dos coletores de materiais recicláveis.
Prince Benites Namandu, 21, disse que está desempregado, nunca trabalhou como coletor e agora quer uma vaga na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), que fica em frente ao barraco de um cômodo só, construído de madeira. A UTR foi instalada aos coletores que comprovaram que trabalham há tempos no lixão.
Ronaldo Ribas de Barros Soares, 43, a mulher Marli, 46 e o filho Daniel, 10, também montaram um barraco na área invadida. Soares afirmou que nunca “nem entrou” no lixão, mas já catou “latinhas” na rua como meio de arrecadar dinheiro. Os moradores da favela já falam entre si que vão “puxar” água e luz para os seus barracos, desejo que pode ser frustrado.
É que a prefeitura informou que prepara uma ação de reintegração de posse. O prefeito Alcides Bernal (PP) disse que ia ver com a Empresa Municipal de Habitação (Emha) se poderia inscrever as famílias invasoras.