Os devotos da candidata a santa Odetinha lotaram na manhã de hoje a Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, na zona sul do Rio. No local, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, formalizou a instalação do tribunal arquidiocesano responsável pelo processo de beatificação de Odette Vidal de Oliveira.
A cerimônia foi acompanhada por mais de 1.000 fiéis presentes na igreja, com capacidade para receber pouco mais de 400 pessoas (sentadas). Muitos usavam camisetas com o retrato da menina de 9 anos, que pode se transformar na primeira santa nascida no Rio. Santinhos de Odetinha, com uma breve biografia e uma oração, foram distribuídos na entrada.
Pouco antes do início da abertura oficial do processo de beatificação, a urna com o corpo de Odetinha chegou à igreja. Há duas semanas, houve a exumação dos restos mortais da menina que havia sido enterrada no cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul do Rio).
Odetinha faleceu em 1909. E, pelas décadas já passadas, o estado de conservação do ossos surpreendeu os especialistas que acompanharam a exumação. Uma urna de acrílico transparente foi encomendada pela Arquidiocese do Rio para armazenar os restos mortais de
Odetinha, atendendo a especificações do Vaticano. A caixa de acrílico foi guardada no interior de uma outra, feita em madeira.
Ao final da cerimônia, uma fila foi organizada para que os fieis pudessem ver de perto a urna onde estava a candidata a santa. Em discurso ao fiéis, Dom Orani falou sobre o significado da candidatura de Odetinha.
"Estamos acostumados a olhar os santos de longe, de associá-los sempre a outras épocas. Ter alguém que viveu nos arredores desta igreja onde estamos, que viveu a cultura carioca, aproxima ainda mais a Igreja das pessoas", disse Dom Orani. E acrescentou: "O Brasil precisa de santos".