O Hospital de Clínicas de Porto Alegre recebeu, na última quarta-feira, uma doação do governo do Paraná de 300 envelopes de “pele artificial” para serem utilizadas no tratamento das vítimas de queimaduras no incêndio de Santa Maria que foram transferidas para a capital gaúcha para tratamento intensivo. As membranas regenerativas, fabricadas no Paraná e certificada pela Anvisa e pela FDA, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, substituem temporariamente a pele, protegendo o ferimento, aliviando a dor, acelerando a cicatrização e permitindo as trocas gasosas e ações fisiológicas do local atingido.
O material enviado pelo governo do Paraná permite atender 60 pacientes. Há, no momento, certa de 30 feridos internados no HC de Porto Alegre. A iniciativa da doação partiu do vice-presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando Macedo. “Vendo o noticiário do problema que os médicos gaúchos estavam enfrentando com a falta de pele, lembrei que o Paraná fabrica a Membracel, muito utilizada aqui para queimaduras e úlceras. Entrei em contato com o responsável técnico pela membrada, dr. Julio Joaquim Pierin Siqueira, que prontamente concordou com a doação”, disse, explicando que fizeram a doação via governo para evitar promoção da empresa. “não é hora para sequer cogitarmos isso”, comentou.
Macedo e Siqueira passaram um dia em Porto Alegre treinando os atendentes de UTI e os cirurgiões plásticos do HC sobre a correta utilização do produto, que já começou a ser aplicado na manhã desta quinta-feira. “Como ela age nas circulações nervosas, ela diminui a sensação de dor e facilita a cicatrização. No caso de jovens, onde a cicatrização é mais rápida, o medicamento auxilia muito”, explicou Macedo. “A maioria dos pacientes ainda está entubada, mas nada impede que a membrana já seja aplicada para agilizar a cicatrização”, ressaltou.
Macedo também contou o que viu no HC de Porto Alegre. “É um cenário de uma tristeza sem tamanho. Os pacientes são, na maioria, moças, bonitas, com uma vida toda pela frente, que viviam a plenitude de sua juventude, agora entubadas, com lesões pulmonares graves e com queimaduras, principalmente no rosto e nos braços”, disse. “Levamos uma pontinha a mais de esperança para a recuperação delas, mas o trabalho dos profissionais de saúde gaúchos está apenas começando. Os médicos estão trabalhando duro pela sobrevivência delas e, depois, terão que tratar as sequelas, fisioterapia respiratória, fazer o acompanhamento psicológico, a reinserção social”.