Eunice Morais Silva, 61 anos, portadora do Mal de Parkinson conseguiu apoio da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul e será submetida à uma cirurgia inovadora, pelo SUS (Sistema Único de Saúde) cujo custo está em torno de R$ 300 mil.
De acordo com a família, por mais difícil que tenha sido, ela sempre realizou o tratamento, que inclui exames e medicamentos, pela rede pública de saúde.
“Desde o início sabíamos que é uma doença que não tem cura, mas que tem tratamento. Os medicamentos não são fáceis de conseguir nos postos, sempre tivemos de percorrer várias unidades para encontrar alguma que tivesse os remédios disponíveis”, relata Mailza de Paula Silva, uma das filhas.
Os remédios são fortes e alteraram o sono da mulher. Com a dificuldade em dormir à noite, ela passou a perder a concentração e produtividade na maior parte do dia.Com o passar do tempo, os sintomas mais conhecidos da síndrome foram identificados.
“Ela constantemente engasgava com a comida, que é comum para que tem essa doença No entanto, logo vieram as tremulações, o que dificultou muito a vida dela”, detalha a filha que hoje mora e cuida da mãe.
O tremor de repouso, como é chamado, passou a comprometer o equilíbrio e a mobilidade da paciente.
A informação sobre a existência de uma cirurgia que elimina o tremor causado pela doença ocorreu por meio do neurocirurgião que acompanha Eunice em Campo Grande, César Nicoletti. Denominada por “Estimulação Cerebral Profunda”, a cirurgia é definida pela Agencia Nacional de Saúde (ANS) como implante de eletrodo cerebral profundo e implante de gerador para a neuroestimulação.
A cirurgia é realizada na Capital, mas de acordo com o médico, é avaliada em pouco mais de R$ 300 mil, incluindo materiais, equipe médica e despesas hospitalares.
A família de dona Eunice procurou a Defensoria Pública para que o procedimento fosse feito pelo Sistema único de Saúde (SUS).
O defensor público Guilherme Cambraia de Oliveira, lotado na 61ª DPE da comarca de Campo Grande, explica que enviou ofícios à SESAU e à Casa de Saúde, mas não teve respostas positivas.
Com respostas negativas sobre a necessidade da assistida, o defensor ajuizou ação contra o Estado para a realização da cirurgia. Com liminar indeferida pela 5ª Vara de Fazenda Pública, ele interpôs um Agravo de Instrumento ao Tribunal de Justiça.
“O SUS é um meio que o Estado tem de garantir que esta obrigação seja cumprida. Se o cidadão necessita ser atendido com urgência, este tem o direito de receber atendimento gratuito e de forma satisfatória", destaca.
O Agravo recebeu liminar pelo desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, da 4ª Câmara Cível, que determinou ao Estado o prazo de 20 dias para a realização do procedimento cirúrgico.
A realização desse procedimento cirúrgico considerado inovador para o Mal de Parkinson pelo SUS é um caso raro em Mato Grosso do Sul. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que no Brasil pelo menos 200 mil pessoas possuam a doença.
De acordo com a família de Eunice, ela já realizou os primeiros exames que antecedem a cirurgia, indicados pelo neurocirurgião, nessa semana no Hospital Regional Rosa Pedrossian. A data do procedimento ainda não foi divulgada.