Renato Moraes, 61 anos, dono da loja Renato Calçados, atravessa a Rua 14 de Julho, parando em frente ao Edifício São Miguel. Mora ali desde o ano passado, depois de 40 anos ocupando imóveis nas proximidades.
“Por fora ele está feinho, mas dentro ficou joia”, comenta o comerciante. Ele gosta de morar ali.
Fachadas da primeira metade do século passado, todos de tijolos, telhas e originalmente bem pintados em cores que não desfaziam a harmonia do conjunto.
Percorrer a pé os seus arredores, olhá-los e admirá-los, permite-nos imaginar o que ainda representam para a Campo Grande. A maioria deles fica no traçado central concebido em 1909 pelo engenheiro agrônomo gaúcho Nilo Javary Barem.
Adepto da teoria, segundo a qual é preciso conhecer o passado para viver o presente e planejar o futuro, o arquiteto Fernando Madeira recomenda especial atenção do Patrimônio Histórico e do poder público para essas edificações. Tal qual ocorreu naMorada dos Baís, a primeira com dois pavimentos, construída no “anno de 1913” às margens dos trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, hoje Orla Ferroviária.
“O planejamento da cidade é de 1988, ano de um intenso período migratório. Foi o basta à desarrumação” – observa Madeira. Antigas edificações carentes de reformas internas e externas ainda reclamam melhorias, pois estão com paredes descascadas e instalações hidráulicas e elétricas avariadas.
Sessenta e sete anos antes, a Resolução nº 4, de 27 de abril de 1921, do Código de Posturas aprovado pela Câmara Municipal, exigiu dos construtores o registro de firmas na Intendência Municipal.Caso não tivesse certificado de institutos nacionais ou estrangeiros, o profissional passava por vexame. Tinha que provar habilidade técnica.
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