A delegada Maria de Lourdes Cano, responsável pelas investigações sobre o caso de uma família que foi mantida refém e teve o caminhão roubado por bandidos que se passaram por clientes, na noite de quinta-feira (14), em Campo Grande, afirmou que é comum este tipo de crime. “Registramos muitos casos em que os ladrões se passam por clientes para roubarem as vítimas”.
Com este tipo de ocorrência se tornando cada vez mais comum, a delegada alerta sobre alguns cuidados importantes que as pessoas devem tomar para não cair nas armadilhas dos criminosos. “Nesse último caso, por exemplo, os autores queriam urgência na contratação do serviço, eles queriam a mudança já para o período da tarde. Isso é um alerta”.
Com a experiência do dia-a-dia a frente da Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), Maria de Lourdes afirma que, na maioria dos casos, é possível evitar esse tipo de situação. A recomendação mais importante é sempre pedir o número de um telefone fixo para o suposto contratante.
“A pessoa tem que ligar para esse número fixo e confirmar realmente o serviço. É importante avisar algum vizinho ou familiar sobre o serviço e deixar os números do cliente com alguém. Informar também o tempo aproximado que irá demorar para a realização do serviço, pedindo para a pessoa te ligar se você demorar além do necessário, isso pode facilitar o trabalho da polícia, caso seja necessário”, explica.
"Vale mais a pena perder um serviço a perder a própria vida"
Em janeiro deste ano, o motorista David Nunes de Freitas foi morto com um tiro na cabeça por bandidos que haviam contratado um serviço de frete com objetivo de roubar um caminhão. Ele foi contratado para fazer o transporte de um veículo do estado de Goiás até Mato Grosso do Sul, onde foi abordado pelos bandidos e assassinado. “Nesse caso, o proprietário da empresa onde o motorista trabalhava disse que não sabia quem havia contratado o serviço, muito menos o número para contato. São informações básicas que devem ser questionadas por quem vai prestar o serviço. Essa simples ação pode salvar uma vida”, alerta a delegada.
No caso ocorrido na última quinta-feira (14), na Capital, a esposa do caminhoneiro – que atendeu a ligação do sequestrador – chegou a comentar com a irmã que a história contada pelo “cliente” estava estranha. “Ela disse que, bem na hora que ela desligou o telefone, comentou com a irmã se não era uma armadilha, mas logo em seguida acreditou ser paranoia”, relatou Maria de Lourdes.
O caminhão da família foi recuperado na tarde do dia seguinte ao crime e será entregue amanhã (18) aos proprietários. “É um anseio da família, já que o veículo é financiado e eles ainda não terminaram de pagar”, conclui a delegada.