Após identificar 60 contas bancárias, o Ministério Público do Rio pediu à Justiça a quebra dos sigilos fiscal e bancário da escola de samba Estação Primeira de Mangueira e do seu presidente, Ivo Meirelles.
A medida faz parte da investigação conduzida pela instituição que analisa a suspeita de envolvimento do presidente da agremiação no crime de associação para o tráfico de drogas.
Segundo a promotora Vera Regina de Almeida, as informações solicitadas têm por finalidade verificar não apenas a evolução patrimonial de Ivo Meirelles durante o período em que esteve à frente da diretoria da escola de samba, mas também as transferências bancárias realizadas.
As informações sobre as contas bancárias existentes foram encaminhadas à Promotoria entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano por determinação da Justiça.
Segundo o Ministério Público, foram identificadas seis contas em nome de Meirelles e 54 contas em nome da Mangueira, nas quais ele consta como representante.
Com base nos dados, a Promotoria vai verificar possíveis irregularidades desde a posse do presidente da Mangueira, em abril de 2009, até dezembro do ano passado.
Ivo Meirelles foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de associação para o tráfico. A investigação foi requerida pelo Ministério Público após denúncia anônima recebida em dezembro de 2010.
De acordo com a denúncia, os então líderes do tráfico de drogas Francisco Paulo Testas Monteiro, mais conhecido como Tuchinha, e Alexandre Mendes da Silva, o Polegar (sobrinho de Tuchinha), recebiam verbas da agremiação.
Segundo a polícia, o pagamento seria mensal, em torno de R$ 150 mil. Em troca, os traficantes teriam ordenado a nomeação de Meirelles como presidente da escola e indicado outros integrantes para funções de diretoria.
No seu blog no site da Mangueira, Meirelles afirmou que é amigo de infância de Tuchinha, mas negou a relação com o tráfico e disse que espera que as autoridades policiais possam elucidar as suspeitas criminosas.