Será realizado hoje (06), às 8h, pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, o julgamento de Olegario Pires, acusado de matar a ex-companheira no ano de 1993. Segundo a denúncia, o réu foi companheiro da vítima Gumercina Marcelino Alves por vários anos, tendo morado no Estado do Paraná e, logo depois, residindo em Campo Grande.
A partir do final do ano de 1991, o acusado e Gumercina começaram a ter problemas sérios no relacionamento familiar, por conta do réu ter passado a assediar sexualmente sua enteada de 13 anos, filha da vítima.
A adolescente contou a situação para sua mãe. Desse modo, o réu e Gumercina passaram a ter constantes desentendimentos, pois este tinha muito ciúme da enteada e não deixava que ninguém se aproximasse dela, além de desconfiar de todos que estavam em sua volta, inclusive a vítima, mãe da menina.
Desse modo, após Olegário passar a ofendê-las com inúmeros xingamentos, a vítima separou-se do réu em meados do mês de fevereiro de 1993 e foi morar com sua filha em um quarto na casa de um amigo.
Inconformado com a separação, o acusado começou a procurar Gumercina com o intuito de reatar o relacionamento, mas, como a vítima negava suas propostas, o réu começou a ameaçá-la de morte. A denúncia ainda descreve que o acusado frequentava bares e dizia sem constrangimento que ainda mataria a ex-companheira, além de xingar a vítima e sua filha.
Dessa forma, narra a denúncia que o réu, decidido a assassinar Gumercina, resolveu pedir ajuda a J. dos S.G., com a proposta de pagamento no valor de Cr$ 700.000,00 (setecentos mil cruzeiros), para que ele o auxiliasse a encontrar um meio para assassiná-la.
Os acusados elaboraram o plano, no qual J. dos S.G. iria até a casa da vítima para lhe dar a notícia de que sua filha estaria em um hospital da cidade, internada na CTI, passando muito mal, sendo necessária sua presença, e, assim, o acusado a levaria até o local. Logo, o réu Olegário Pires ficaria esperando perto do Jardim Aeroporto, em um local ermo e, quando a vítima passasse por lá com J. dos S.G., o réu atacaria.
Desta forma, no dia 6 de maio de 1993, por volta das 20h, o segundo acusado foi com sua bicicleta até a casa de Gumercina, lhe informou que sua filha estava no CTI do hospital passando mal e levou a vítima em sua bicicleta, sem que ela suspeitasse de nada. Assim, J. dos S.G. levou Gumercina por uma estrada de cascalho nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, onde o primeiro acusado os esperava, armado com uma barra de ferro e uma faca.
Como a estrada era arenosa, a vítima desceu da bicicleta e foi andando, até que, de surpresa, Olegário Pires saiu do meio dos arbustos, atacando a vítima com dois golpes de barra de ferro na cabeça. Porém, Gumercina levantou-se e tentou fugir, mas o réu foi atrás e, ao alcançá-la, entraram em luta corporal, tendo a vítima arranhado o acusado. Apesar de tentar fugir, o réu colocou a faca em seu pescoço e ordenou que entrasse no meio do mato, enquanto J. dos S.G. afastou-se do local. Por fim, após obrigar a vítima a andar até um brejo, o réu cortou-lhe o pescoço, arrastou o corpo e escondeu em alguns arbustos.
Passados quatro dias, Olegário Pires foi até a casa de J. dos S.G. e pagou-lhe Cr$ 500.00,00 (quinhentos mil cruzeiros), ficando devendo o restante da quantia combinada.
Ambos os réus estiveram foragidos. Em 23 de outubro de 2003, J. dos S.G. foi julgado e condenado à pena de 7 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão em regime fechado. Olegário Pires foi pronunciado no art. 121, §2º, incisos I e IV e art. 211 c/c os arts. 69 e 29, todos do Código Penal