Símbolo da defesa do agronegócio no Congresso Nacional, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) teve uma fazenda de sua família invadida pelo MST (Movimento dos Trabalhados Sem Terra) hoje.
Cerca de 500 camponesas integrantes do MST entraram na propriedade localizada no município de Aliança (TO), ao lado da rodovia Belém-Brasília. Elas também interditaram as pistas nos dois sentidos da via.
A ação das camponesas é um dos vários atos das sem-terra em todo o Brasil em razão do Dia Internacional da Mulher e como parte da "Jornada Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina".
Segundo Mariana Silva, dirigente do MST no Tocantins, "a senadora Kátia Abreu é contra a reforma agrária e comete crimes ambientais em suas fazendas". De acordo com a líder do movimento, esses foram os motivos para invadir a fazenda.
O MST também afirma que a fazenda Aliança já foi embargada duas vezes pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
As autuações foram em decorrência de desmatamentos em áreas de preservação.
Em nota oficial, a senadora Kátia Abreu afirmou "repudiar, com indignação, a invasão" de sua fazenda.
Segundo a senadora, a invasão foi executada pela Via Campesina, movimento do qual o MST faz parte e que foi definido por ela como "milícia".
"Trata-se de propriedade produtiva, moderna, que emprega 48 trabalhadores, hoje violentamente transformados em reféns, enquanto o grupo de vândalos destruía viveiros de mudas cultivadas com alta tecnologia, destinadas ao plantio de eucaliptos, que é a atividade principal do empreendimento", afirmou a senadora, na nota.
O comunicado da senadora segue dizendo que a invasão é um "ato de retaliação" a sua "atuação democrática como senadora e líder do setor produtivo rural, em defesa do Estado de Direito e dos direitos fundamentais, neste caso traduzido no direito de propriedade".
"Não vão me fazer recuar. Não vão me amedrontar. Não vão impedir que continue mostrando ao Brasil as mentiras e as atrocidades cometidas por este movimento dos sem lei", acusou a senadora.
Na nota, a senadora diz ainda que sua família está se dirigindo ao local para "tomar as medidas judiciais cabíveis e prestar atendimento aos verdadeiros trabalhadores que lá foram feitos reféns".