Pensativos, persistentes, perseverantes, um grupo de idosos do Asilo São João Bosco escolhe hora e dia e faz do trabalho manual a rejeição à dor do abandono.
“Eu atendo a vontade deles”, resume a psicóloga campo-grandense Selma Negreiros. Desde 2007, ela coordena de segunda a sexta-feira os trabalhos da Associação Recanto. O atendimento individual é feito de manhã e a terapia, à tarde.
Por mais simples que seja, a arte permite ao ser humano a liberação de sentimentos e emoções. Aumenta a qualidade afetiva das relações interpessoais, pela melhora da comunicação, fortalecimento da autoimagem e redescoberta de potenciais criativos.
A cada 15 dias, a promoção do bingo, o jogo de dominó, o pife e a sinuca disputados entre eles e alguns servidores combate a debilitação.
“Eles contam piadas, relembram histórias pessoais e se lembram dos parentes”, Selma explica. Na terapia conhecida por Expresso da Saudade, cada objeto apresentado transporta os idosos para o lar antigo, rua e cidade onde moraram. “Por exemplo, o chapéu lembra o Pantanal”, comenta.
Idosos irritam-se quando alguém toca em suas malinhas. Nelas, depositam objetos diversos, papéis e santinhos. Ali estão seus sentimentos e sonhos”, diz a psicóloga.
Tradicionalmente, às quartas-feiras, a equipe de voluntários leva bolos, presentes e tira fotos em confraternizações e nos aniversários. Alguns nem se lembram mais a idade, vivendo, entretanto, sublimes momentos suficientes para livrá-los do constrangimento.
Cada atividade, cada material, cada cor, forma, movimento e som, tem uma possibilidade de atuação na pessoa, lembra a psicóloga. “Um rolo de barbante favorece a percepção e integração de noções de especialidade”, ela assinala.
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