Nenhum médico pediatra fazia plantão ontem à tarde em todos os Centros Regionais de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento Médico de Campo Grande, que atendem os casos mais urgentes e sem agendamento de consultas. Na prática, a ausência dos especialistas fez com que os pais das crianças adoecidas esperassem por até seis horas a chegada dos médicos nos postos de saúde.
É que nos postos de saúde havia pediatras somente nos períodos da manhã e à noite, mas ontem à tarde não havia nenhum especialista para os plantões. “Só faltava essa: filho de gente pobre tem de marcar hora para ficar doente”, disse Maria Eufrazina de Jesus, 66, que buscava atendimento para o neto de quatro anos, ontem à tarde, no Centro Regional de Saúde do bairro Guanandy. O garoto sentia sintomas da dengue, informou a avó. Ela disse que ia conversar com o pai do menino para bancar uma consulta particular.
Já Adriele Ramos, 15 anos, levou Alice, irmã de seis anos de idade para a unidade do Guanandi por volta das 13h. Às 15h ela ainda aguardava o médico, mas soube que o plantonista só viria à noite, a partir das 19h.
“Ontem minha mãe trouxe ela [Alice] aqui por volta das 22h e só saiu três horas depois”, disse a adolescente. Alice sente febre há pelo menos cinco dias e está pálida, segundo a irmã. Como ela também precisava ser atendia por outro médico, as duas enfrentavam a vez já há duas horas.
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