O tratamento para crianças e adolescentes que vivem nas ruas e são dependentes de drogas, principalmente do crack, deve passar essencialmente pelo resgate de sua cidadania. Isso significa, segundo vários especialistas consultados pela Agência Brasil, que o tratamento só terá efeitos positivos se for acompanhado de ações envolvendo a promoção da família, educação, saúde, moradia e renda, entre outros.
“O [problema do] crack, para mim, é secundário. Como tratar o crack se você não oferecer alguma coisa além? A base do problema desse menino não é o crack, são os vínculos com família, com a escola. Não adianta um tratamento focado no crack. Deve-se fazer um trabalho que envolva a família ou que dê condições para ele [criança ou adolescente] se desenvolver”, disse Ana Regina Noto, professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, feito no ano de 2004, em todo o país.
Para Antonio Sergio Gonçalves, psicanalista e coordenador do Departamento de Formação em Psicanálise Sedes Sapentiae, o tratamento contra a dependência de drogas por crianças e adolescentes também deve ser tratado na base. “Quando necessário, até fazemos uma internação involuntária, como forma de proteção, caso a vida do sujeito ou de terceiros esteja comprometida. Mas acho preocupante quando ela é formulada como política pública para responder a um fenômeno social que sabemos que, na base, tem outras questões que passam por renda, moradia, trabalho, proteção social, educação, lazer e uma série de violações”, disse.