Advogado, dono da Fazenda Paraíso, a 350 quilômetros de Corumbá, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por reduzir trabalhador rural à condição análoga à de escravo, sujeitando-o a situações degradantes de trabalho. De acordo com denúncia, aceita pela Justiça Federal no último dia 3, a vítima trabalhava há 17 anos na propriedade do advogado e chegou a ficar 4 anos sem salário, recebendo apenas alimentos.
Caso
Em novembro de 2011 a Polícia Militar Ambiental (PMA) flagrou o trabalhador, a esposa e os oito filhos do casal vivendo sem água potável e em péssimas condições, numa casa de pau-a-pique revestida com barro. O banheiro usado pela família tinha as paredes de madeira e, em seu interior um buraco de dois metros de profundidade, além de ser distante da casa.
Já a fonte de água era uma cacimba cavada a céu aberto, contendo líquido esverdeado. A família dividia apenas um quarto e não contava com energia elétrica.
Após o flagrante da PMA, o advogado pressionou o trabalhador e o obrigou a mudar seu relato fornecido à polícia. O que não foi suficiente para inocentar o fazendeiro. Se condenado, o advogado pode pegar pena que varia de dois a oito anos de reclusão e multa.
Difícil acesso
Ainda segundo o MPF, a Fazenda Paraíso está localizada entre a reserva indígena Guató e o destacamento do Exército Brasileiro de Porto Índio. O local fica na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia. Na propriedade não há sinal de telefone nem internet e o acesso é feito por via aérea ou pelo rio. A viagem de barco rápido dura em torno de sete horas.