Continuando com gestos simbólicos, o papa Francisco determinou que sua missa inaugural, amanhã de manhã, seja simplificada e encurtada, além de escolher um anel de prata em vez de ouro. A cerimônia deve reunir dezenas de milhares de fiéis diante da basílica de São Pedro e terá a participação de 31 chefes de Estado, entre os quais a presidente Dilma Rousseff e o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe.
A principal mudança se refere ao abandono do latim para a leitura do Evangelho. A língua morta vinha sendo revalorizada pelo antecessor, o papa emérito Bento 16.
Hoje, a leitura será apenas em grego, língua que simboliza a "unidade das igrejas do ocidente e do oriente", conforme explicou ontem o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.
O grego é usado em algumas missas papais como indicação de que a Igreja Católica Apostólica Romana quer se reunir às igrejas orientais, separadas pelo cisma de 1054. O turco Bartolomeu 1º, o "papa" dos cristãos ortodoxos, participará da posse -é a primeira vez que isso ocorre desde a ruptura.
As outras mudanças para "enxutar" a missa, que terá cerca de 2 horas, incluem uma procissão mais curta e a promessa de obediência por seis cardeais -na inauguração de Bento 16, foram 12 cardeais.
O papa escolheu ainda seu anel de pescador -alusão à ocupação de são Pedro, o primeiro papa- em prata folhado de dourado. O anel de Bento 16 e de vários outros pontífices eram fabricados principalmente em ouro.