Cidades

Tragédia em Santa Maria

Polícia nega gravar depoimento e dono da Kiss fica em silêncio

Polícia nega gravar depoimento e dono da Kiss fica em silêncio

Redação

19/03/2013 - 07h44
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A Polícia Civil de Santa Maria (RS) tinha se programado para ouvir novamente Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, nesta segunda-feira (18), mas a intenção não se concretizou. O advogado do suspeito, Jader Marques, exigia gravar o depoimento em vídeo, o que não foi aceito pelos delegados responsáveis pelo inquérito que investiga a tragédia de 27 de janeiro na casa noturna, que causou a morte de 241 pessoas. Spohr, então, não falou nada.

O delegado Marcos Vianna chegou a ir no início da tarde desta segunda-feira até a Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, mas perdeu a viagem. O advogado de Kiko, Jader Marques, já estava lá. Pouco depois das 15h, diante do impasse, o defensor confirmava que o depoimento não sairia.

Em entrevista coletiva no final da tarde desta segunda, Marques ressaltou que o único pedido que fez à Polícia Civil era para que a gravação do depoimento pudesse ser feita em vídeo, para depois ser disponibilizada de forma integral à imprensa. "Hoje ficou evidente que o ato de reinterrogatório de Elissandro Spohr não tinha importância nenhuma para a Polícia Civil, era só para cumprir tabela", declarou o advogado.

Marques ainda destacou que seu cliente teria de demonstrar o que ele chama de "equívocos" que estão sendo apontados pelo inquérito, como a "posição dos ferros das portas". Por isso, ele fez até um desafio para a Polícia Civil. "Que a Polícia Civil leve o Kiko para dentro da boate amanhã (terça-feira) e discuta com ele todos os elementos apontados no inquérito."

O advogado foi além nas críticas ao trabalho da Polícia Civil: "Se for levado para dentro da boate, Elissandro Spohr derruba esse inquérito frágil, apoiado em indícios fracos, em elementos muitos mal colhidos. A autoridade policial não só prendeu Elissandro, mas escondeu Elissandro", disse.

Sobraram ainda críticas do advogado a órgãos fiscalizadores que estiveram na Kiss e não tomaram medidas para fechar a casa noturna, como o Ministério Público, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), o Corpo de Bombeiros e a prefeitura de Santa Maria. Por isso, todos teriam sua parcela de responsabilidade, segundo o advogado. Ele disse que não quer que todos os fatos sejam atribuídos somente a Elissandro Spohr. "Não vou aceitar covardia institucional", afirmou Marques, referindo-se à conclusão do inquérito que investiga a tragédia.

O delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pelo inquérito, afirmou que a gravação em vídeo não foi permitida porque isso seria um tratamento desigual a outras pessoas que depuseram no inquérito.  

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