Quando nos aproximamos da Casa Nicol, nem sempre dá pra ver os cinzeiros de vidro de Murano embutidos na porta da frente, nem os pequenos espelhos que reluzem entre as telhas. Porém, é óbvio que estamos olhando para algo extraordinário. Completamente diferente de suas vizinhas em estilo colonial, a casa octogonal possui um ziguezague de janelas triangulares e uma pirâmide que coroa seu teto plano com um asterisco de bolas de metal e vergalhões na parte de cima.
“Que casa incrível – uau!”, foi o que o atual dono, Rod Parks, se lembra de ter pensado quando passou pelo portão pela primeira vez e se sentou na sala rebaixada coberta com um carpete verde. Isso foi em 1997, quando a casa foi posta à venda por Betty Nicol, que havia encomendado a casa de Kansas City, no Missouri, com o marido e banqueiro James. Viúva e com quase 80 anos, ela já não queria mais viver nos 390 m² onde havia criado os três filhos. Parks, que agora tem 56 anos, também passava por uma fase de transição: de candidato ao doutorado em psicologia a vendedor de móveis de meados do século. Embora tivesse curiosidade para conhecer a casa projetada pelo lendário arquiteto Bruce Goff, não estava pensando em comprá-la.
Na época, Parks estava abrindo a Retro Inferno, uma loja de móveis antigos no centro de Kansas City. Porém, ele vivia nas redondezas e sempre ia às festas oferecidas pelos novos donos. Foi assim que começou a aprender mais sobre Goff. Carinhosamente chamado de BG pelos filhos da família Nicol, o arquiteto autodidata havia morrido em 1982, aos 78 anos. Goff havia começado a estudar arquitetura aos 12 anos de idade e após três anos fez sua primeira construção; depois de algum tempo, entrou para o curso de arquitetura da Universidade de Oklahoma. Embora tenha sido influenciado pelo trabalho de Frank Lloyd Wright, Goff desenvolveu o próprio estilo exuberante, integrando elementos pouco convencionais como papel celofane, penas de peru e partes de aviões.
Os Nicol conheceram Goff em 1964, quando o arquiteto dava aulas no Instituto de Arte de Kansas City. A filha, Kathy Nicol, que na época tinha 12 anos, afirmou que os pais “ficavam com hematomas nas costelas de tanto cutucarem um ao outro para mostrar os excêntricos objetos de arte de que tanto gostavam”. O casal o contratou na hora.