Na mesma semana em que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um gigante com quase 50 mil alunos, anunciou a decisão de acabar com o tradicional vestibular para adotar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de ingresso para seus alunos, mais uma polêmica sobre a prova do Ministério da Educação veio à tona, desta vez questionando a correção das redações. Textos que citam receita de macarrão instantâneo e até o hino do Palmeiras receberam pelo menos 500 pontos como nota – em uma escala de 0 até 1 mil.
Para o reitor da última universidade a aderir ao Enem, essas novas denúncias só aparecem porque o exame nacional é democrático. "Os vestibulares eram todos fechados. Eu por exemplo fazia o meu vestibular e não dava conhecimento para ninguém por que (o candidato) tirou aquela nota. Eu não abria a prova. Agora o Enem é muito democrático, abriu tudo, e por causa disso esses episódios, tipo do cara que contou a receita da espaguete, aparecem", disse Clélio Campolina ao Terra em entrevista por telefone.
Campolina ainda disse que a UFMG nunca questionou o exame, apesar de terem ocorrido algumas falhas de segurança, como o vazamento de cadernos e de questões em anos anteriores, porque sempre ficou comprovada a qualidade da prova. "Se houve problema, a gente não pode negar o exame porque ele é uma necessidade. Nós temos que corrigir os problemas e aperfeiçoar", justificou. Para o reitor, as redações divulgadas pela mídia são "falhas isoladas".
"É correção de cinco milhões de provas, aí você pega uma excepcionalidade e transforma em regra? Isso não pode", afirmou o reitor. Questionado se concordava com as notas recebidas pelos alunos, inclusive nas provas com erros de ortografia que tiveram a pontuação máxima, Cepolina afirmou que conversou com linguistas e que é preciso avaliar cada caso. "Se houve mesmo mau uso, isso precisa ser coibido e melhorado".
Com a decisão anunciada esta semana, a UFMG se soma a outras grandes universidades – como a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – que decidiram acabar com os seus vestibulares para adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).