Cidades

ENTREVISTA

Construção de hospital é um dos grandes desafios da Cassems, diz Ricardo Ayache

Construção de hospital é um dos grandes desafios da Cassems, diz Ricardo Ayache

Redação

14/04/2013 - 19h15
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Na próxima sexta-feira, o médico Ricardo Ayache toma posse para mais um triênio à frente da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems). A posse, que acontecerá no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande, se dará em meio à XII Assembleia Geral Ordinária de Prestação de Contas da entidade, referente ao exercício de 2012. Ouvido pelo Correio do Estado, o presidente não apenas fala sobre o que foi a gestão que ora se encerra, como também destaca os projetos para o novo período administrativo.

CORREIO PERGUNTA: Reeleito para o triênio 2013/2016, quais são as metas à frente da Cassems para esse novo período administrativo?

RICARDO AYACHE: Um dos desafios para este novo período é a construção do hospital de Campo Grande, um investimento fundamental para a Cassems e seus beneficiários, como também de extrema importância para a cidade de Campo Grande, que cresceu e se desenvolveu. No entanto, não observamos um aumento do número de leitos hospitalares que acompanhasse esse crescimento da cidade. O que antes era um sonho, hoje é uma necessidade. O cenário da saúde é extremamente complexo e desafiador. Por isso, precisamos estar atentos a todas as demandas e exigências, para continuar prestando um atendimento de qualidade. O usuário e a agência reguladora estão mais exigentes, nos colocando uma série de obrigações que tem elevado muito o custo assistencial. Isso é um panorama nacional e é justificado por inúmeros fatores como, por exemplo, o envelhecimento populacional, a judicialização da saúde e as novas tecnologias. Então precisamos estar preparados para enfrentar estes novos desafios.

A sua administração tem enfatizado que a Cassems é um plano de saúde para servidores públicos e administrado por servidores. Na prática, como tem funcionado isso?

O método tem se mostrado muito eficiente, porque temos na formatação estatutária da Cassems a formação de um conselho de administração e um conselho fiscal, com ampla participação de todas as categorias de servidores públicos. São conselhos extremamente ecléticos e representativos, o que nos torna capacitados a cumprir um dos nossos papeis que é o de estar próximo e ouvir cada um de nossos beneficiários. Dentro deste contexto temos a assembleia geral ordinária que é realizada anualmente, e assembleias consultivas realizadas nas diversas cidades do interior pra debater os rumos do plano de saúde. O beneficiário pode se expressar também por meio do voto, durante eleição desses conselhos realizada a cada três anos.

Qual a avaliação que o senhor faz da gestão que está se encerrando?

Conseguimos evoluir muito na profissionalização da gestão, envolver ainda mais as entidades representativas e os próprios servidores nas tomadas de decisões da Cassems. Aprimoramos os nossos programas de prevenção, como por exemplo, o Ônibus da Saúde, projeto itinerante de prevenção ao câncer que leva atendimento digno e de qualidade à população do interior; implantamos em Campo Grande um Centro de Prevenção voltado para hábitos mais saudáveis, como a “Cozinha Experimental” que ensina as pessoas a se alimentarem e a cozinhar de uma forma mais equilibrada. Os beneficiários podem desfrutar de academia, hidroginástica, Pilates e Fisioterapia. É uma nova forma de entender a saúde do servidor e transformar nosso Plano efetivamente em um plano de saúde tendo como parâmetro a medicina preventiva. É nosso papel induzir essa mudança. Outras conquistas desta gestão foram a aquisição dos hospitais em Naviraí, Nova Andradina e Três Lagoas (adquirido em parceria com a Unimed), e criamos mais 6 Centros Odontológicos no interior do Estado. Há uma grande preocupação com a interiorização de nossos serviços, pois grande parte dos profissionais de saúde se concentram na Capital, onde encontram mais atrativos e melhor suporte para uma boa prática médica. Por estes motivos temos investido na regionalização das nossas estruturas.

Há poucos dias o senhor realizou reunião com os gerentes hospitalares regionais. Qual foi o objetivo desse encontro e em que isso refletirá na melhoria do atendimento aos associados?

Temos o hábito de realizar essas reuniões trimestralmente para avaliar o desempenho dos hospitais. Essas reuniões visam, sobretudo, melhorar a qualidade do atendimento e manter a sustentabilidade de todo o sistema.

Qual a estrutura de atendimento que a Cassems tem disponibilizado aos servidores públicos estaduais?

A Cassems é hoje bem capitalizada, nós temos 73 unidades administrativas no Estado, 18 Centros Odontológicos, 7 hospitais (o oitavo será inaugurado em junho) e oito centros médicos, onde nós temos os profissionais prestando atendimento ambulatorial para os nossos beneficiários, além de uma ampla rede credenciada, que hoje totaliza mais de 2.200 profissionais de saúde em todo o Estado.

Hoje, o plano de saúde da entidade é reconhecidamente um dos mais respeitados nos consultórios, a que se deve essa confiança da classe médica?

Desde a fundação da Cassems em 2001, nós procuramos estabelecer uma relação muito transparente e ética com todos os nossos parceiros, tanto profissionais, quanto as empresas de saúde credenciadas a Cassems. Procuramos pagar religiosamente em dia, discutir abertamente todos os padrões de remuneração para que pudéssemos ter o padrão de qualidade atual, com excelentes profissionais, com os melhores hospitais, as melhores clínicas, e é isso que tem proporcionado a nossa qualidade assistencial.

Como surgiu a ideia de implantar programas de prevenção em um plano de saúde? Eles têm trazido o resultado esperado?

Nós observamos, de uns anos para cá, que os servidores públicos e familiares só procuravam atendimento quando estavam com algum problema de saúde. Entendemos então que, a partir dessa constatação, precisaríamos cuidar de cada pessoa antes que ela desenvolvesse alguma doença. Dessa forma criamos um programa de prevenção para as doenças do coração, o ‘Viva Saúde’, que percorre diversos órgãos para que possamos identificar aquelas pessoas que necessitam de um acompanhamento mais próximo.
Desenvolvemos o programa de prevenção ao câncer da mulher, o qual vai atrás das mulheres que não estão com os exames preventivos em dia, para que possam regularizá-los, evitando assim o surgimento dessas doenças. Nesse mesmo sentido lançamos o ‘Ônibus da Saúde’ como já foi citado. Mais de 50% das mulheres não faziam exames de prevenção, seja por desconhecimento ou falta de acesso.

Há possibilidade de a Cassems ampliar prestação de serviços médicos (abertura de novas especialidades) para seus associados?


Além do hospital de Campo Grande, temos a projeção de um Centro de Diagnóstico Avançado também na Capital, a ideia de ampliar o hospital de Três Lagoas e um projeto para viabilizar um hospital em Corumbá. A inauguração do hospital de Coxim está prevista para este primeiro semestre, como já foi dito e, a ampliação do hospital de Naviraí para o segundo semestre. Vamos continuar investindo e levando os programas de prevenção para o interior do Estado. E é claro, sempre adequando a nossa rede de atendimento às necessidades dos nossos beneficiários.

Fale um pouco mais sobre Assembleia Geral Ordinária que acontece na próxima sexta-feira? 

Nós teremos agora no dia 19 Assembleia Geral de Prestação de Contas, um momento de transparência e participação, as pessoas vêm do interior do Estado para participar, debatem, apresentam suas ideias, e prestamos contas de tudo o que foi feito no ano anterior, para que a gente possa continuar construindo coletivamente a Cassems. É assim que sempre fizemos ao longo desses anos todos. Nessa gestão que estive a frente da presidência, mantivemos o mesmo ritmo, e desta forma queremos continuar. 

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