Há um ano, Luciano e Eliza tomaram uma decisão: iriam mudar de vida. E escolheram um caminho para isso: a qualificação profissional. Capacitaram-se e realizaram a mudança planejada. Ela já não limita seus dias à rotina de dona de casa e ele já não depende do dinheiro de bicos. A renda da família triplicou e há reservas suficientes para o lazer com os filhos, algo impensável até o início do ano passado.
Até o início de 2012, Luciano Bastos Monteiro dependia do conserto de computadores para sustentar a família. “Sobrevivia de bicos”, afirma. Eliza Alves Severino, por seu lado, não tinha renda – era dona de casa. O novo capítulo dessa história se iniciou com um curso de eletricista residencial, realizado em abril do ano passado no Bairro Aero Rancho. Foram 240 horas de aprendizagens – período de gestação para o nascimento de mais dois profissionais no conjunto de serviços fomentados pelo avanço da construção civil.
Luciano e Eliza não precisaram desembolsar nenhum centavo para aprenderem a profissão. Isso porque o curso integra o Programa Ação Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), que oferece qualificações gratuitas em bairros de Campo Grande.
“Depois de uma semana que fizemos o curso, já conseguimos emprego”, lembra-se. Os dois passaram por algumas construtoras e estão, hoje, em uma empresa de reparos residenciais.
E sempre trabalhando juntos. “Isso nos uniu ainda mais”, afirma Luciano. A renda familiar é, hoje, de R$ 2,8 mil, três vezes mais que a média de R$ 900 de alguns meses atrás.
Além do crescimento financeiro, o casal também conquistou melhor qualidade de vida.
Passam mais tempo com os filhos – uma escadinha de 7, 9, 11 e 15 anos. “Muitas vezes, nas casas que a gente trabalha, as pessoas deixam e até pedem pra trazer os filhos. Enquanto nós dois trabalhamos, as crianças brincam”, conta. E fora do horário há outros momentos em família. “Hoje, a gente consegue dar uma saidinha pra comer uma pizza, alguma coisa fora. É de vez em quando, mas antes nem isso”, afirma.
As transformações na vida da família por meio do trabalho despertaram o interesse do filho mais velho. Ele também quis se qualificar profissionalmente em área próxima a de seus pais.
A vontade se converteu em estudo e, depois, em aprovação no curso de eletrotécnica do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). “Ele estudou bastante e a gente ajudou no que pode”, diz Luciano. Além da força no estudo, o casal pode, com a melhoria de renda, presentear o adolescente. “Compramos pra ele um celular e um computador”, disse Luciano, com satisfação de missão cumprida.